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28/01/2011
REVIEW - CINEMA: DEIXE-ME ENTRAR
 
 
Deixe-me Entrar
 
 
 
 
 
 
 
 
 


Deixe-me Entrar
(Let Me In) é um filme difícil de explicar para quem não tem grande interesse pelo gênero. Aliás, o problema é exatamente explicar o gênero, afinal a produção consegue a proeza de ser um filme de terror ao mesmo tempo em que é uma história infantil.

Remake do escandinavo Deixa Ela Entrar, o filme tem como protagonista um peculiar casal de crianças. O garoto Owen (Kodi Smit-McPhee) está sempre sozinho: seus pais estão se separando, sua mãe é uma religiosa alcoólatra e os garotos mais velhos o maltratam na escola. Ele, enfim, ganha companhia quando a garota Abby (Chloe Moretz) se muda para o apartamento ao lado com seu pai. Até aí poderíamos dizer que não há nada demais, a não ser pelo fato de Abby ser uma vampira.

A história se passa na década de 1980, uma escolha curiosa, mas que no geral não afeta o andamento da trama. O destaque é o clima sombrio e asfixiante que a história segue, com uma fotografia que lembra mais um drama europeu do que um filme de terror. E, de fato, o relacionamento de Owen e Abby é o centro do filme, ou seja, há mais drama do que terror.

Ainda assim, fãs de vampiros ficarão felizes ao saber que esse aspecto é bem explorado. Por exemplo, há certa dificuldade para uma menininha como Abby conseguir se alimentar sem atrair atenção, e é aí que entra seu pai (Richard Jenkins), que sai em busca de sangue para ela todas as noites. Outros elementos do vampirismo são explorados de maneira interessante, conflitando a mitologia com o tom sóbrio e realista da produção, com destaque para o modo como exploram a exposição ao sol e as consequências de um vampiro entrar num recinto sem ser convidado.

Moretz já ficou conhecida do público por outro papel bastante violento: o da heroína Hit-Girl em Kick-Ass. A moça parece ter tomado gosto por esse tipo de personagem, que consegue ser meiga num momento para logo depois desmembrar seus oponentes. Desta vez, ao contrário do que apresentado em Kick-Ass, ela demonstra maior talento, pois sua personagem é até certo ponto aprofundada.

Kodi Smit-McPhee, por outro lado, não se sai tão bem, atuando bem em algumas cenas, mas estando desprovido de carisma ou mesmo emoção em outras. Aproveitando o tema da relação infantil, o filme apresenta ângulos interessantes, como por exemplo, o fato de basicamente nunca vermos o rosto da mãe de Owen, algo que nos remete a desenhos animados como Tom & Jerry e Muppets Babies, que mostravam toda a história do ponto de vista das crianças (ou animais).

Owen é um personagem com certeza muito influenciado pelos abusos escolares tão em voga hoje em dia e, como consequência disso, apresenta um lado sombrio que o retrata como um sociopata em potencial, algo que infelizmente é pouco aproveitado. E esse é o grande problema com Deixe-me Entrar.

Quando a relação de Owen e Abby é o centro das atenções, o filme ganha um peso diferente, prendendo a atenção com essa ambígua situação. Porém, onde a atuação de Moretz e a composição das cenas saem vitoriosos, o roteiro nem tanto, pois muitos detalhes ficam no ar, sem serem explicados ou desenvolvidos a contento, a começar pela real relação entre Abby e seu pai. Os efeitos especiais de quando Abby entra em ação chegam perto de ser um defeito, pois a movimentação é muito artificial, mas, de maneira inteligente, essas cenas são todas na escuridão, o que ajuda a mascarar a baixa qualidade.

O longa é apontado por muitos como um produto muito inferior ao original, mas como não foi visto por este colunista, me abstenho deste detalhe. Independente de sua origem, Deixe-me Entrar, somando o drama ao suspense, consegue prender a atenção. Com um roteiro mais cuidadoso e trabalhado, seria com certeza um material mais marcante.

Elenco:  Chloe Moretz, Kodi Smit-McPhee, Richard Jenkins, Cara Buono.  Roteiro: Matt Reeves (sobre o roteiro original de John Ajvide Lindqvist). Direção: Matt Reeves.

Veja também:
- Notas de Produção
- Galeria de Imagens

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