MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
13/07/2010
ESPECIAL: HARVEY PEKAR - A VIDA COMUM JÁ É MUITO COMPLEXA
 
 
Harvey Pekar
 
 
Seu dia-a-dia em American Splendor e a luta contra o câncer em Our Cancer Year
 
 
American Splendor, sua biografia na tela grande, e Macedonia, um de seus mais recentes trabalhos
 
 
The Beats: A Graphic History
 
 
 
 
 
 
 


Durante os anos 1940, o mundo dos quadrinhos americanos era dominado pelos super-heróis e incontáveis reinos de fantasia e aventura. Para o jovem Harvey Pekar essas histórias logo perderiam a graça. Para ele o problema não era o meio e sim o fato das historias serem muito formuladas e cheias de clichês.

Pekar via os quadrinhos como a união entre palavras e figuras onde o céu é o limite para a criatividade. "Você pode falar sobre qualquer coisa e não existe um roteiro quanto à arte que você vai usar". Por isso seu desânimo com o que era produzido no mercado americano, que explorava muito pouco o potencial do meio.

Em 1976, inspirado pela cena underground e com o apoio do amigo Robert Crumb, ele publicou o primeiro exemplar de American Splendor. A revista contava a história do seu dia-a-dia e de conhecidos.

Pekar introduziu o cotidiano como assunto principal dentro de uma história em quadrinhos. Seu trabalho como arquivista, a relação com seus colegas, família, esposa, filha, problemas com carro e dinheiro, sua saúde e até mesmo o relacionamento com os artistas que ilustraram as suas histórias, eram assuntos recorrentes na série.

Se hoje lemos graphic novels sobre relações familiares, autobiográficas, o cotidiano dos jovens e outros assuntos que podem parecer banais, é tudo graças a American Splendor. Ela trouxe uma carga de realismo que até então não existia nas histórias em quadrinhos.

Pelo seu conteúdo incomum, durante grande parte de sua existência, a série foi publicada de forma independente pelo próprio autor. Criador e criação se tornaram ícones revolucionários nos quadrinhos, cuja importância pode ser medida na grande influência que tiveram em toda a cultura independente, não apenas os quadrinhos, como também o cinema e a música.

Em 2003, a glória e vida desse ícone foram adaptadas para o cinema no filme Anti-Herói Americano. O longa recebeu diversos prêmios em festivais sendo muito bem recebido tanto pela crítica, quanto pelo público.

Foi graças ao longa que Pekar  ganhou um certo destaque no Brasil. Sendo publicado um álbum que reúne algumas das histórias feitas em parceria com Crumb (Bob & Harv - Dois Anti-Heróis Americanos, publicado pelo Conrad). Até então, o material só tinha sido publicado em pequenas quantidades na extinta revista Piratas do Tietê, de Laerte.

Na casa dos 70 anos, Pekar nunca deixou de produzir as histórias que ele gostaria de contar. Não apenas sobre o seu cotidiano. Recentemente ele se envolveu em graphic novels sobre a Macedônia (Macedonia, publicada pela Villard), sobre o movimento estudantil nos EUA (Students for a Democratic Society: A Graphic History, publicada pela Hill and Wang); sobre os protagonistas da geração beat (The Beats: A Graphic History, também da Hill and Wang).

Mesmo relutando com a tecnologia, ele acabou entrando para o mundo digital com The Pekar Project, idealizado em parceria com a revista Smith e quatro ilustradores. As histórias publicadas nessa web comic têm o mesmo espírito daquelas que fizeram dele o ícone que é hoje. Transformando a vida mundana em clássicos dos quadrinhos.

Pekar, já com 70 anos, foi encontrado morto na madrugada desta segunda-feira, dia 12 de julho, pela sua esposa Joyce Brabner. Nos anos 1990, Pekar e sua esposa relataram a luta do autor contra o câncer na graphic novel Our Cancer Year.

Harvey Pekar deixou como legado um trabalho inovador, mostrando a vida mundana sem os grandes eventos que movem as histórias de heróis. Pekar era um herói do dia-a-dia, seu trabalho chegou a ser comparado com os textos de Chekhov e Dostoievski.

O próprio autor resumia seu trabalho como “uma série de atividades diárias que possuem mais influência em uma pessoa do que qualquer evento espetacular e traumático. São os 99% da vida sobre os quais ninguém escreve”. 

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