MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
11/12/2008
ENTREVISTA: DIOGO CESAR E PABLO MAYER
 
 
A Casa ao Lado
 
 
teaser de A Casa ao Lado
 
 
Lápis da página 4
 
 
Página 4 finalizada
 
 
Pedrinho, o zumbi - arte de Diogo Cesar
 
 
Capa do fanzine Muco
 
 
 
 



Diogo Cesar e Pablo Mayer são os autores de A Casa ao Lado, um dos trabalhos escolhidos pela Fundação Cultural de Joinville e lançado em 2008 pela HQM Editora. Apesar de serem relativamente novos no mercado de quadrinhos, a obra foi muito bem recebida e bastante elogiada pelo público e crítica, com arte e roteiro bem amarrados, conquistando fãs pelo Brasil afora. Conheça um pouco mais desta talentosa dupla nesta entrevista exclusiva ao HQ Maniacs.


Diogo, como você e o Pablo se conheceram?
Diogo Cesar:
Nós nos conhecemos através do Paulo Gerloff, durante toda a confusão que ocorreu com a revista dele, a Banda Grossa. Eu já era amigo do Paulo há algum tempo e ele me apresentou ao Pablo.


Para localizar os leitores, essa confusão que você diz envolvendo a Banda Grossa, depois de aprovada pela Fundação Cultural de Joinville, impressa e distribuída, foi acusada pela Câmara dos Vereadores de publicar pornografia, devido ao seu conteúdo adulto, certo? Pelo jeito, foi um mal entendido, pois essa era realmente a intenção do Gerloff, de fazer uma revista nos moldes da Chiclete com Banana. Pablo, você também participou da revista?
Pablo:
Sim, um grande mal entendido, mas que ajudou muito na divulgação da revista.  Eu fiz uma tirinha apenas e desenhei o cartaz para os lançamentos.


Diogo, você já tinha o roteiro pronto antes de conhecer o Pablo? Ele influenciou na história de A Casa ao Lado?
Diogo:
Esse roteiro surgiu quando o Pablo me procurou com um conceito de história onde "a casa vizinha tinha algum mistério". Ele morava perto de uma casa abandonada meio sinistra e andava com isso na cabeça e me pediu para desenvolver uma história a partir disso.

Sempre quisemos fazer um álbum, e tínhamos grande chance de levar a verba do edital de apoio à cultura da Fundação Cultural de Joinville, então combinamos que eu escreveria o roteiro e Pablo faria os desenhos. Inscrevemos o projeto sem ter o roteiro pronto, apenas com o conceito.

Depois disso nos reunimos na casa do Pablo para bolar um final pra história. Sugeri duas linhas de história, a que está no álbum e outra envolvendo mais sobrenatural, misticismo. Apesar desta segunda também ser muito interessante, acabamos seguindo o outro caminho por ter mais relação com a história de Joinville. 


Por que decidiram pela colorização em verde? Algum outro trabalho influenciou vocês?
Diogo:
Queríamos mesmo era fazer colorido, mas nossa verba não seria suficiente. Pablo havia feito uma versão com tons de cinza que ficou realmente legal e destacava muito os desenhos. Um desconto na gráfica permitiu que rodássemos com uma cor a mais, então escolhemos um pantone verde com o objetivo de dar um tom frio nos desenhos. Saiu melhor que a encomenda. Pessoas que liam o álbum comentavam que a cor chamativa intensificava a narrativa, enquanto causava um estranhamento bacana.


Diogo, como foi o processo de produção do roteiro? Existe algum fato verídico? Ou é tudo ficção? Há quanto tempo existe o projeto?
Diogo:
É difícil falar do processo de produção sem contar o final da história, mas vamos lá. Uma vez que Pablo e eu concordamos em usar a linha narrativa que envolvia a história de Joinville, foi um momento de pesquisa. Como o final estava definido, fomos atrás de histórias relacionadas à solução do mistério da casa, além de estudar a arquitetura das casas antigas da cidade e um pouco de folclore da vizinhança de cada uma delas. Na cidade, existem casas aparentemente abandonadas, mas completamente conservadas, com gente paga para cuidar do jardim e tudo mais. Chegamos a bater na porta de algumas delas, para tentar confirmar se estavam abandonadas. De fato, não havia ninguém.

Também entrevistamos pessoas do arquivo histórico e pesquisamos jornais antigos. Descobrimos coisas interessantíssimas que inclusive nos levaram a acreditar que o final de nossa história pudesse realmente acontecer. Seria bacana.

Existem alguns fatos verídicos. Houve dois tremores em Joinville nas mesmas datas da história. É o motivo pelo qual ela começa no dia 29 de junho de 2007. O primeiro tremor de fato deixou a cidade muito curiosa. Até hoje não se sabe ao certo o que aconteceu. Em nossa história, criamos nossa versão do acontecido. O projeto existe desde a metade do primeiro semestre de 2007.


Na página 11 de A Casa ao Lado, quando Jorge está entrando no carro, tem uma dupla de rapazes fazendo uma ponta na HQ. E são parecidíssimos com vocês dois (rs). De quem foi a idéia de fazerem uma ponta na história? Como foi isso? Vocês me disseram certa vez que essa página foi redesenhada? Tem mais alguma coisa que nós não percebemos? (rs)
Pablo:
Redesenhei aquele quadro, que na primeira versão, não estava bem ajustado. Os personagens principais estavam muito no canto. Deixei pra fazer esse ajuste no fim, quando a revista estivesse encaminhada. Coloquei várias "coisinhas" pela história. Inclusive a casa da minha namorada (rs).

Diogo: Ao longo do álbum existem vários detalhes de cenário que estão ali tanto como piadas internas como para dar pistas sobre a história. Algumas delas foram discutidas antes e até faziam parte do roteiro. Outras foram iniciativas do Pablo, que gosta muito de se divertir colocando detalhes nos cenários.

Existem também muitos personagens de Joinville espalhados pela história, seja por aparência física ou por nomes. Em um momento da história é citado um personagem chamado Juarez, que é uma referência ao pintor Juarez Machado, por exemplo.


Pablo, quais são suas influências? Em A Casa ao Lado você está com o seu traço habitual?
Pablo Mayer:
Meu pai (Douglas Mayer) é cartunista e teve papel fundamental na minha formação, pois me apresentou trabalhos de muita gente boa. Tanto dos quadrinhos, quanto das artes plásticas.

Quando comecei a desenhar, gostava do traço do Ziraldo. Depois veio Laerte, Angeli... Tive a fase que lia Homem-Aranha e gostava dos desenhos do Todd McFarlane e do Erik Larsen. Depois Frank Miller, Mignola, Eduardo Risso... Bah, tem muitos nomes aí nessa lista. Muitos ilustradores também, como o Fábio Abreu (editor de arte do jornal que trabalho), Samuel Casal... Enfim, tem muita gente que me influenciou de várias formas, mas, o que vale mesmo, é você sentar na prancheta e desenhar muito, e então, ver o que é que sai.

Quando desenhei o álbum, meu traço era daquele jeito. Se eu desenhasse o CL hoje, faria muitas coisas diferentes. E isso é normal dentro do processo de evolução do artista, a melhora no traço e nos enquadramentos. Isso é o tipo de coisa que se aprende fazendo.


Como se deu a premiação da Fundação Cultural de Joinville? Vocês inscreveram A Casa ao Lado e foram escolhidos? Sabem se haviam muitos concorrentes?
Diogo:
Inscrevemos nosso álbum na categoria "artes gráficas". Não sabemos quantas pessoas estavam com projetos inscritos, mas creio que eram poucos projetos em quadrinhos. Houve um problema nesse edital com a revista em quadrinhos de nosso amigo Paulo Gerloff em 2005 e havia o interesse de fazer uma revista que mostrasse outro lado da nona arte aos joinvilenses. Nem infantil, nem subversivo, apenas uma história que qualquer pessoa pudesse ler e se divertir no processo.


Vocês receberam elogios e críticas de diversas partes e de diversos meios pelo Brasil com o lançamento de A Casa ao Lado. O que acharam de tudo? Foi ou está sendo como vocês imaginavam?
Diogo:
Fomos muito realistas desde o início, nesse sentido. Consideramos que essa seria nossa primeira incursão no mercado nacional e que deveríamos nos colocar em nosso devido lugar: iniciantes com um caminho de aprendizado pela frente. Observávamos iniciantes como nós querendo contar histórias "superinovadoras" com recursos de narrativa que nem eles entendiam, resultando em histórias pseudo-intelectualizadas, emulando gênios dos quadrinhos que por sua vez levaram anos para conceber histórias daquela maneira. Decidimos simplificar, fazer uma história de "sessão da tarde", com começo, meio, fim e algumas surpresas. Em nossas palavras, queríamos uma história para ser "nota oito". Foi exatamente o que conseguimos.

Cada crítico recebeu nossa história de maneira diferente. Houve quem vibrou em ler uma história despretensiosa, houve quem esperava que apontássemos o caminho para a salvação da humanidade... Todos eles nos deram nossa almejada nota oito, apontaram nossas falhas enquanto aprendizes e celebraram novos autores coerentes no mercado. Então sim, foi e está sendo como imaginamos que seria. É muito bom conversar com pessoas sobre nosso trabalho, quer elas tenham gostado, quer não.


Apesar de serem relativamente novos no mercado de quadrinhos, além do Paulo Gerloff, vocês também conhecem o José Aguiar, premiado e veterano quadrinista, autor do álbum Quadrinhofilia, lançado também pela HQM. Como conheceram o Aguiar? Vocês chegaram a mostrar o trabalho para ele antes de publicado? Se sim, o que ele achou de A Casa ao Lado?
Diogo:
Em 2006, junto com o Paulo Gerloff, inventamos de fazer um curso de quadrinhos na Gibiteca de Curitiba. O professor era o José Aguiar. Inscrevemos-nos no curso básico e fomos a algumas aulas. No fim das contas, o custo de ir a Curitiba todo o final de semana (morávamos em Joinville) acabou tornando o curso inviável para nós. Mas ficamos amigos do Zé no processo. Como me mudei para Curitiba no início desse ano, ficamos mais próximos. Quando soube que precisávamos de editora para o álbum, nos indicou a HQM.

O Zé foi um dos primeiros a ler o álbum completo. Foi uma das respostas mais entusiásticas que recebemos. Ele não só tinha adorado nosso trabalho como percebera muitos dos detalhes que colocamos na história e que são pistas do seu desfecho. Como veterano, nos deu também sua visão mais experiente sobre o trabalho, apontando onde achava que estavam nossos grandes acertos e também algumas observações. Foi peça fundamental para a publicação desse álbum.


Diogo, você também é desenhista? Tem algum outro trabalho com o Pablo? Algum trabalho solo? Algum trabalho com outra parceria?
Diogo:
Sou ilustrador. Publico tanto textos quanto desenhos em meu site pessoal: www.diogocesar.com. Tenho algumas histórias curtas que escrevi e ilustrei para nosso fanzine, o Muco e estou trabalhando em mais uma, para a nova edição. Tenho projetos engavetados que pretendo retomar também, mas nenhum trabalho com outra parceria, por enquanto.


Pablo, você também é roteirista? Os roteiros das tiras publicadas em seu blog são seus?
Pablo:
Acho que sim (rs). Escrevi e desenhei algumas histórias curtas para a Muco. Inclusive, acabei de terminar uma HQ de 8 páginas para a nova edição. Além disso, estou trabalhando num roteiro para uma história mais longa. Quem sabe até vire um álbum mais pra frente.

Apesar de também escrever e bolar histórias, não tenho problema em desenhar roteiro de outro. Claro, desde que sejam bons e eu tenha algum entrosamento com o roteirista. Eu e o Diogo conversávamos muito durante o processo de produção do álbum. E foi muito bacana desenhar com um texto que não é meu.

Todos os roteiros das tiras são meus. Alguns sobre influência de amigos. Coisa que é normal...


Por que o nome Brabos Comics?
Pablo:
No colegial, eu e um amigo fazíamos comerciais de TV no computador e usávamos a marca Brabos Entertainment. Coisa boba... Quando comecei a fazer quadrinhos pra valer, pensei no Brabos, que acabou virando o endereço do meu site (www.braboscomics.com) e o nome da minha tira no jornal.


Pablo, sendo do Sul, o que levou você a se inscrever no Salão de Internacional de Humor de Paraguaçu Paulista? Achou que poderia tirar o 2º lugar, como aconteceu?
Pablo:
Como já faço tiras em quadrinhos há algum tempo, achei que era hora de participar de algum salão de humor. Procurei os que estavam com as inscrições abertas. Então eu tentei o de Paraguaçu. Mandei pra ver como iria me sair. Não fazia idéia se iria ser premiado ou não. Na lista dos selecionados estavam nomes como o de Alves (que ganhou) e Salimena, o que valoriza mais o prêmio. Agora quero participar de mais... 


Pablo, há quanto tempo trabalha no A Notícia? O que faz lá?
Pablo:
Há um ano. Mas antes trabalhei em outros jornais e produtoras. Fazia animação e edição de vídeo. Trabalho na equipe de arte, faço ilustrações e infográficos e além de publicar a tirinha, às vezes faço a charge. Ah, também tenho um blog no portal do jornal (www.an.com.br/brabos). 


Vocês têm algum projeto de um outro álbum?
Diogo:
Passei um conceito para o Pablo que nos deixou muito empolgados. Seria uma série e é tudo o que podemos falar sobre, no momento. 

Pablo: Além dessa história com o Diogo (que é ótima), estou escrevendo uma outra. Mas ainda não sei quando vou começar a desenhar ou se vou. Vamos ver... 


Querem deixar algum recado aos leitores?
Diogo:
Divirtam-se na Casa ao Lado e mandem-nos suas opiniões em nossos sites. Obrigado a todos pelo carinho!

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