MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
24/10/2008
COLUNA - FALA ANIMAL!: FAMA NÃO É TUDO
 
 
A nova revista do Gladiador Dourado
 
 
O novo Cavaleiro da Lua
 
 
 
 
 
 
 



Batman, Homem-Aranha, Superman, X-Men. Os quadrinhos de super-heróis são habitados por centenas de personagens conhecidos mundialmente, mesmo por quem não lê as HQs, afinal tratam-se de marcas presentes nos mais diferentes produtos, e que em anos recentes se tornaram o nicho preferido de Hollywood.

Mesmo depois de anos lendo quadrinhos, boa parte dos leitores costuma se manter fiel a algum personagem importante, acompanhando suas histórias mesmo que estejam péssimas. Porém, a fama não é tudo e, esmiuçando revistas de qualquer época, é possível encontrar material de alta qualidade, mesmo que estrelado por personagens normalmente considerados de segunda linha (quando não são chamados de coisa pior).

O maior exemplo deste grupo hoje em dia é provavelmente a revista mensal do Gladiador Dourado, ainda inédita no Brasil (calma, não vamos revelar nenhum spoiler!). Apresentando tramas muito divertidas, ao mesmo tempo em que são fincadas fortemente na cronologia da DC Comics, a revista vem acumulando elogios merecidamente. Por mais que possa parecer o lar de histórias complicadas quando se lê a palavra cronologia, a revista do Gladiador é justamente o contrário. Por se tratar de um personagem pouco famoso, a HQ não precisa de reformulações a todo instante, não se interliga com diversos outros títulos estrelados pelo mesmo personagem, e acaba por brincar com a cronologia sem desrespeitá-la.

Convidados especiais brotam de todos os lados, tornando tudo ainda mais divertido, remetendo aos bons tempos em que um universo de super-heróis era coeso por mostrar seus demais habitantes, e não pelo fato de uma saga se espalhar por vários títulos. Claro, no fim das contas é um artifício que ajuda também nas vendas, mas se bem usado, o que é o caso, dá todo um charme a mais a uma série. É só ver o número de leitores satisfeitos e comprovar que isso dá certo, mesmo comparando com as opiniões (nem sempre com as vendas) sobre outros títulos de personagens mais famosos, como por exemplo, o Flash.

Mas tal “fenômeno” não é nada novo. Tanto na Marvel quanto na DC inúmeros títulos estrelados por personagens de pouco destaque fizeram a festa dos leitores por muitos anos. Os Novos Guerreiros (em sua primeira formação), o Esquadrão Suicida (pelas competentes mãos de John Ostrander), Pantera Negra (na revista mensal anterior a atual), Starman (de James Robinson) e tantos outros, em um momento ou em outro, foram motivo de alegria para leitores.

Porém, quase sempre uma dura verdade atinge com força tais títulos. Por melhores que sejam as histórias, por mais elogios que recebam, são raros os casos em que um título deste tipo venda bem por muito tempo. Afinal de contas, o grande público é atraído por grandes nomes, sejam estes os nomes dos personagens ou de seus autores. Assim sendo, os “títulos de segunda linha” costumam durar bem quando um escritor famoso permanece um bom tempo nele, como, por exemplo, Alias ou o atual Xeque-Mate.

Quando o escritor famoso abandona o título, normalmente o cancelamento vem pouco tempo depois, novamente o caso do atual Xeque-Mate. Claro, a editora tenta alguns truques antes de decretar o cancelamento: novos integrantes quando se trata de uma equipe, reformulações, um novo número 1 e por aí vai, mas no final das contas, quase nenhum personagem de “segunda linha” sobrevive em título próprio por muito tempo.

Você dúvida? Pois bem, é só analisarmos quantas revistas mensais já tiveram personagens como Aquaman, Cavaleiro da Lua, Legião dos Super-Heróis e Punho de Ferro. Sem nenhuma exceção, tratam-se de personagens que em algum ponto de suas carreiras foram ovacionados pelo público e em alguns poucos períodos até foram bem nas vendas, mas com o tempo foram cancelados, reformulados, relançados e assim por diante.

Percebe-se que o fim de tão queridos títulos é sempre o mesmo, mas o que fazemos nós que gostamos tanto deles? Bem, o que resta é aproveitar enquanto duram e torcer para que mãos talentosas, e quem sabe até famosas, emprestem um pouco desta fama para estes queridos personagens. Ou então, em breve estaremos lamentando o fim de uma revista querida, como devem estar lamentando no momento os fãs de Garota-Aranha e Justiceira.

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Punho de Ferro, Garota-Aranha e o novo Xeque-Mate
 


 

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