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28/08/2008
ENTREVISTA: RAFAEL GRAMPÁ
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 



Rafael Grampá começou a trabalhar com ilustração aos 14 anos de idade. Em 2003 mudou-se para São Paulo, para trabalhar no estúdio Lobo, onde atuou como diretor de arte e designer conceitual. Criou peças para empresas como Cartoon Network, Nickelodeon, Banco Real, Grendene, Coca-Cola, Diesel e outras.

Atualmente, trabalha fazendo design de produção na adaptação de O Dobro de Cinco, graphic novel de Lourenço Mutarelli, para os cinemas. Nos quadrinhos, Grampá colaborou em coletâneas como Bang Bang e 5 e, este ano, lança sua obra solo, Mesmo Delivery.

Também neste ano, Grampá foi vencedor do prestigiado Prêmio Eisner por Melhor Antologia pela revista independente 5, que criou em parceria com os irmãos Gabriel Bá e Fábio Moon, além de Becky Cloonan e Vasilis Lolos.

Na entrevista a seguir, Grampá fala sobre sua carreira, trabalhos, projetos, e sobre Mesmo Delivery, seu mais novo trabalho que foi anunciado no Brasil pela Desiderata e, nos EUA, pela Adhouse Books.

HQM: Vamos começar falando sobre sua trajetória. Como você principiou a se interessar pelos quadrinhos? Qual foi o primeiro contato com esse meio?
Rafael Grampá:
Interesso-me por eles desde a infância, e meu primeiro contato foi igual ao primeiro contato de todo mundo que gosta de quadrinhos, ganhando um gibi do pai, da mãe, etc.

HQM: Como foi que começou a se profissionalizar? Qual o percurso que você seguiu?
Rafael Grampá:
Trabalho desde muito cedo, pois sou de família nada abastada. Já com uns nove anos de idade, eu fiz uma decoração de uma festa infantil e, aos quatorze, ilustrava livros. Fiz de tudo que aparecia relacionado com desenho, até mesmo ilustrar brasões de bandeiras. Fui trabalhar com animação depois, com direção de arte de TV, design conceitual, com criação de filmes em motion graphics e com moda. Sempre gostei de experimentar e ainda gosto. Os quadrinhos representam apenas uma das muitas possibilidades de criação pra mim.

HQM: Quais os métodos que você usa em seu trabalho?

Rafael Grampá: Nenhum método intrigante, não. Tenho uma idéia e ponho no papel. O material e técnica vão depender da idéia e do que ela pede. Às vezes pede tinta e papel, outras vezes a técnica é digital. Todo mundo que trabalha com imagem acaba fazendo isso hoje em dia.

HQM: Quais artistas que mais te inspiram, e quais suas obras favoritas?

Rafael Grampá: Se for boa, qualquer coisa me inspira. Acho que a minha obra favorita não existe ainda. Gosto de muita coisa, mas não consigo pensar em uma favorita.

HQM: Vamos falar sobre seu novo álbum, o Mesmo Delivery. Como este projeto começou? Como surgiu o contato com a Desiderata?

Rafael Grampá: Escrevi o roteiro em junho de 2006. Nessa época, eu trabalhava em um estúdio de motion graphics. Isso ocupava todo o meu tempo e lembro que tive que escrever nas férias. Só retomei o projeto em fevereiro de 2007 e parei novamente em junho. Retomei novamente em dezembro e acabei há pouco tempo. Parece que demorou, mas não sinto assim. Levou o tempo que precisava. O roteiro foi mudando durante a produção e a última mudança aconteceu um mês antes de eu acabar o álbum. É um jeito esquisito de trabalhar, mas sempre faço assim. Trabalho de um jeito que deixa certas partes principais da história abertas até o último momento de produzi-las. O contato com a Desiderata surgiu a partir de um comentário que o Lobo, editor da editora na época, escreveu no meu blog.

HQM: A história do álbum é um suspense que envolve caminhoneiros e o transporte de uma carga misteriosa. Como a idéia surgiu e como a HQ foi executada?

Rafael Grampá: A Wizard gringa escreveu que a Mesmo Delivery é uma mistura de Comboio, do Sam Peckinpah, com o seriado Além da Imaginação com algo a mais. Gostei da definição. São 56 páginas coloridas de mistério, ação, influências cinematográficas e experimentalismo gráfico. A idéia surgiu porque decidi ser autor de quadrinhos, inventar e contar minhas próprias idéias. Acho que sobre como foi executada eu já respondi um pouco ali em cima, o resto foi muita dedicação e bunda quadrada.

HQM: Segundo uma notícia recente da Folha, há um projeto para levar Mesmo Delivery aos cinemas, capitaneado pelo produtor Rodrigo Teixeira. Você pode falar sobre isso?

Rafael Grampá: Na verdade não posso falar muito, não. Ele comprou os direitos e quer muito levar para o cinema. Interessou-se pela história antes mesmo de eu acabá-la, de estar tudo desenhado. Acho que por agora só posso dizer que a produção pode não ser nacional e sim americana, mas não posso afirmar nada com certeza.

HQM: Ainda sobre cinema, um de seus mais recentes trabalhos é na direção de arte do filme O Dobro de Cinco, baseado na HQ de mesmo nome de Lourenço Mutarelli. Como foi esse trabalho?

Rafael Grampá: Esse filme ainda não aconteceu. O que fizemos por enquanto foi um teaser de uns cinco minutos, para testarmos o modelo de produção e ter idéia do custo, assim como mostrar para possíveis parceiros. O filme vai acontecer, mas ainda estamos muito no começo. O que eu faço não é exatamente a direção de arte do filme, e sim o design de produção, que é um crédito que vai acima da direção de arte e representa a criação do look inteiro do filme, dos cenários, maquiagens, efeitos visuais e todo o estilo do que for aparecer na tela. É um crédito não muito comum nos filmes nacionais.

HQM: Nos quadrinhos, um de seus primeiros projetos foi para a coletânea Bang Bang, publicada aqui pela Devir e nos EUA com o título de Gunned Down. Como foi trabalhar nesta revista? Como surgiu a oportunidade?

Rafael Grampá: Foram minhas primeiras páginas de quadrinhos autorais. Aconteceu devido a um convite do Fábio Moon e do Gabriel Bá para participar da antologia. Os dois, na época, haviam acabado de fazer um trabalho para o estúdio em que eu trabalhava como diretor de arte.

HQM: Este ano, você, juntamente com os irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá, além de Becky Cloonan e Vasilis Lolos, foram vencedores do Prêmio Eisner, na categoria Melhor Antologia pelo fanzine 5. O que achou dessa colaboração? E sobre a indicação ao prêmio?

Rafael Grampá: Fizemos com o objetivo de nos divertirmos, de fazermos algo juntos, pela única razão que realmente interessava, a de fazer quadrinhos. A indicação ao Eisner Awards foi uma grande surpresa e alegria para todos nós.

HQM: Falando em premiações, você também ganhou o Troféu HQMix na categoria Blog/Flog de Artista Gráfico. Como você se sente a respeito?

Rafael Grampá: Sinto-me muito honrado com o prêmio.

HQM: Seus trabalhos em quadrinhos são publicados aqui no Brasil e também no exterior, como por exemplo Bang Bang, 5 e Mesmo Delivery. Qual o motivo disso? Além da diferença entre o tamanho do mercado consumidor, você acha que há mais diferenças entre o mercado brasileiro e o estrangeiro?
Rafael Grampá:
Sim, tem muita diferença em publicar no exterior, não só nos EUA, sempre me interessou bastante e é algo que não vejo de outra forma, na minha carreira como quadrinista.

HQM: Nesses últimos anos, o destaque que as editoras brasileiras dão aos títulos nacionais vem aumentando. Um dos exemplos é a Desiderata, com sua linha voltada para trabalhos nacionais. Qual sua opinião sobre isso? Você acha que, atualmente, há mais reconhecimento para o artista nacional?

Rafael Grampá: Acho excelente existir esse destaque hoje em dia. Não sei se existe mais reconhecimento ou não, as espero que um dia exista um mercado bem firmado de quadrinhos nacionais no Brasil. Para que isso aconteça, acho que os artistas têm que continuar produzindo e não colocar a culpa em editoras. Uma editora não garante um resultado positivo de uma HQ. Ela pode fazer um caminho muito bacana, mesmo publicada independentemente.

HQM: Qual seu conselho para alguém que pretende seguir carreira nos quadrinhos?

Rafael Grampá:
Estou aguardando ansiosamente o lançamento do meu álbum aqui no Brasil, para não me sentir mal quando me perguntam esse tipo de coisa. Não me considero capaz de dar conselhos sobre como ser um quadrinista ainda. Mas se eu fosse dar uma dica, diria: Não leia só quadrinhos, não faça apenas quadrinhos para aprender a desenhar e conhecer técnicas e produza suas próprias idéias.

HQM: E quanto a projetos futuros? Já tem algo em mente?
Rafael Grampá: Sim, já tenho um próximo projeto. Mas por enquanto, só posso dizer que é uma Graphic Novel de, a princípio, 200 páginas, chamada Furry Water. Criei o argumento e convidei o escritor Daniel Pellizzari para roteirizar comigo e não vejo a hora de começar a desenhá-la.

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