MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
05/08/2008
COLUNA - GIBILÂNDIA: É APENAS GIBI, MAS EU GOSTO!
 
 
Jack Kirby, o Rei do Quadrinhos legais, retratado pelo ´discípulo´ John Byrne
 
 
Capa do Cheap Thrills pra hippie nenhum botar defeito
 
 
É o ´´Rock do Aranha´´!
 
 
´´Hulk é pop, homenzinhos!´´
 
 
Até os grandes heróis lêem gibis
 
 
 
 
 
 



O pior que pode acontecer a uma pessoa é ela ter vergonha de si mesma. Ok! Algumas vezes fazemos coisas das quais nos envergonhamos muito – e com razão – , mas não é exatamente disso que estou falando aqui, caro pecador. Falo, sim, sobre “aquelas” outras coisas... as legais!

Gibi, por exemplo. Gibi é uma coisa legal pra caramba, é ou não é? Então por que, cargas d’água você tem vergonha de assumir que gosta disso? Fica aí inventando nome pomposo pra ele, como “Arte Seqüencial” (putz... que chique, não?) ou “Nona Arte” (ui!) só pra bancar o intelectual que você não é (graças a Deus!) para um monte de gente alienada que pensa que Quadrinho é coisa de moleque goiaba. Ora, pois, goiaba é quem não gosta de gibi. Não sabe o que está perdendo, capice?

Esse alguém não tem idéia da emoção que é vislumbrar o cenário caótico de uma HQ desenhada por Jack Kirby; nem dos arrepios na medula que as frases shakespearianas de Stan Lee podem lhe proporcionar; ou da risada fácil que Cebolinha e Pato Donald vão lhe arrancar... tampouco o que a trajetória de um cara narigudo chamado Ken Parker poderia fazê-lo refletir. Bah! Gibi é o que há!

E até mesmo quem não coleciona, quem não é um aficionado, sabe disso. A maior parte dessas pessoas “normais” (as que não são goiabas) sente um certo encantamento pelas histórias que liam na infância, comentam algumas passagens delas e até lembram de alguns personagens secundários (a maioria sabe que a mulher do Fantasma chama-se Diana, por exemplo).

As pessoas normais só não se tornaram colecionadoras de fato, devido a uma série de fatores que não vou perder tempo aqui explicando. Mas elas gostam de gibis também. É só reparar na reação delas quando entram em um estande de comic shop numa bienal do livro; ou quando você mostra algum exemplar da tua coleção. Os olhos dessas pessoas brilham, e algumas delas até pedem emprestado uma revista pra você, não estou certo? Sem falar nas perguntas – que muitas vezes, nós, experts e reis da cocada preta consideramos tolas –  como “E o Batman, já se casou com a Batgirl?” ou a clássica “Quem é mais forte, afinal, o Hulk ou o Superman?” – e por aí vai...

Esses aí não têm vergonha de dizer que gostam, ou que gostavam de ler gibi. Diferente de muito leitor de Quadrinho metido à besta de hoje em dia, que se recusa a admitir isso, e que só curte “graphic novel” ou seja lá que termo confuso, pretensioso e rocambolesco como “Literatura em Quadrinhos” (santa!) estejam usando.

É como aquele pai de família que diz não assistir telenovela. Mentiroso! Acompanha todos os capítulos – até mais do que a esposa. E esta, a bem da verdade, já enjoou de ver a “Helena” em todas as tramas do Manoel Carlos. Tsc... quem renega o termo “gibi” é tipo aquele fulano que classifica o rock’n’roll dos anos 1950 como “roquinho” – como se a maior manifestação popular de cultura jovem de todos os tempos fosse lá, uma coisa menor... bobinha. Bobinho é ele, pois mal sabe que guitarras e nanquim têm tudo a ver. Pergunte ao linguarudo Gene Simmons, que chegou a chutar o traseiro do Dr. Destino num gibi da poderosa Marvel Comics. Ou então, para Robert Crumb, vulgo R. Crumb, que desenhou a capa do álbum Cheap Thrills, de Janis Joplin com o Big Brother and the Holding Company. Sei, não é da sua época, “né”?

Quer saber? Já que você se perdeu nesta verborrágica paragráfica viagem espaço-temporal, e como o doidão do Crumb foi citado aqui e agora – e vai saber em qual mais outro canto distante deste mundo quase semi-ovalado – não custa te endoidecer um pouco mais, e informar que o dito cujo também criou o visual do jarrão de leite Boy Howdy, a mascote da revista CREEM“a única revista rock’n’roll da América”, como já definia o seu slogan.

Pois é, diz a lenda que as expressões “Punk Rock” e “Heavy Metal” surgiram inicialmente em suas páginas. Mais Cultura Pop que isso, só se colocássemos o Homem-Aranha na capa de um exemplar. Hmm... e não é que isso realmente aconteceu em 1973, by Jazzy Johnny Romita? WOW!

Na verdade – e que isso fique entre nós, por favor – o Cabeça-de-Teia estava com uma dor-de-cotovelo danada do Hulk, pois, dois anos antes, o bonzão da Base Gama apareceu estampado na capa da concorrente Rolling Stone (que detalho no livro A Era de Bronze dos Super-Heróis, lançado pela HQM Editora).

As referências Pop são inúmeras, e se não parar agora, o perdido será eu. E como não sou de perder a esportiva, tampouco a esperança, prefiro pensar que dos bichinhos de goiaba não precisamos... que o bicho-grilo até toleramos... e que gibi legal, é do que realmente precisamos. Seja impresso em papel jornal, ou em formatinho, “sei lá, entende?” – o que importa é que a história seja legal, e te proporcione alguns bons momentos de lazer e descontração.

Se porventura alguém intrigado, e não menos indignado, perguntar o que você faz aí largadão no sofá, compenetrado, ora sorrindo, ora arregalando os olhos, ora gargalhando, diga sem titubear que é apenas gibi, mas que você gosta – depois saia pra espairecer... jogar uma bola... namorar... ou ajudar o próximo. Faça qualquer coisa. Mas nunca, jamais, em hipótese alguma, vire um bitolado metido à besta.


Às vezes, os textos de Roberto Guedes são verborrágicos, paragráficos e doidos demais... but we like it!

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Os integrantes da banda Kiss contra o Doutor Destino em gibi da Casa das Idéias
 


 

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