MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
21/11/2007
ENTREVISTA: RAFAEL ALBUQUERQUE
 
 
Crimeland
 
 
Página de Crimeland
 
 
Rumble in La Rambla
 
 
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Blue Beetle #12
 
 
Página de Blue Beetle
 
 
 
 



Criado pelos quadrinistas gaúchos Felipe Ferreira e Rafael Albuquerque, Crimeland é um álbum de 100 páginas que foi lançado recentemente pela editora norte-americana Image Comics. A história mostra uma cidade dominada pelo crime organizado e pela violência, que se torna o palco de uma guerra entre gangues rivais, quando um líder criminoso é assassinado.

Os autores possuem trabalhos publicados em lugares como o Oriente Médio e editoras dos EUA, mas Crimeland é a primeira vez em que tiveram total controle criativo na obra, cuja história, arte e cores foram feitas inteiramente no Brasil. Os diálogos foram traduzidos pelo escritor norte-americano Ivan Brandon, convidado a participar do projeto devido à fluência na língua inglesa e por ter trabalhado anteriormente com Rafael em outros projetos. O livro conta também com artes conceituais e galeria de imagens de diversos artistas convidados.

Conversamos rapidamente com Rafael Albuquerque falando sobre a obra, sua criação, inspirações e a encarnação anterior da história, originalmente a minissérie em três edições Rumble in La Rambla.

HQM: Como foi o trabalho em conjunto com o Felipe? Quem desenhou, quem escreveu a história? Como foi o processo criativo?
Rafael Albuquerque:
Houve uma cooperação tanto minha na história quanto dele na arte. Trocamos muitas idéias na hora de criar a trama e os personagens, e o Felipe me deu muitas sugestões a respeito da arte, do visual e das cores.

HQM: E quanto à trama de Crimeland? A história envolve gângsteres rivais lutando pelo poder. Fale mais um pouco sobre ela.
Rafael Albuquerque:
Sim, se passa na fictícia cidade La Rambla, comandada pelo crime organizado há gerações. Uma guerra entre gangues rivais estoura após o assassinato de um influente gângster, dando fim a uma trégua de décadas. A graphic novel explora vários lados deste conflito, como o do jovem lutador Nash, o dos chefões Santo e Dozer e o do delegado Fred.
 
HQM: De onde saiu a inspiração para a história? Quais as fontes que vocês pesquisaram?
Rafael Albuquerque:
Principalmente filmes, pois queríamos imprimir um ritmo acelerado como o de filmes de kung fu, mas também com um estilo de noir mais moderno como o de filmes tipo Snatch – Porcos e Diamantes e Pulp Fiction. O visual e as cores são inspirados basicamente em filmes e séries policiais dos anos 80, como Miami Vice e Magnum.

HQM: Como foi a criação dos personagens?
Rafael Albuquerque:
Para a criação de personagens, tivemos muita influência de Chester Gould, criador do Dick Tracy. Tentamos fazer os vilões com rostos bem deformados e estilizados, muitas vezes buscando inspiração em animais, como é o caso de Dozer e Albino Jensen, por exemplo.

HQM: No ano passado, você e o Felipe lançaram Rumble in La Ramba também pela Image, uma minissérie em três edições. Crimeland é, digamos, a versão "remasterizada" dessa minissérie, correto? O que mudou nas duas versões?
Rafael Albuquerque:
Tivemos muitos problemas no lançamento de Rumble in la Rambla, e pouca gente teve acesso a este material. Então o Erik Larsen, editor da Image, propôs que relançássemos a série em um novo formato, com um novo titulo, revisando e corrigindo alguns problemas da versão original. Como o Ivan Brandon é meu amigo, um excelente escritor e havia gostado do trabalho, o convidamos para refazer os diálogos. Além disso, o livro tem as oito páginas originais de prólogo que apresentamos para a Image como projeto, sketchbook e uma galeria com trabalhos de excelentes artistas, nacionais e internacionais.

Como surgiu a chance de publicar Crimeland pela Image?
Rafael Albuquerque:
Felipe e eu tínhamos algumas idéias há algum tempo e resolvemos trabalhar a história, que acabou se tornando o Rumble in La Rambla. Em 2005, preparamos o prólogo com oito páginas para servir de amostra e o argumento para os três capítulos da minissérie, e apresentamos tudo para o Larsen na Comic Con daquele ano. Passaram-se alguns meses e ele respondeu dizendo que a Image havia adorado a idéia e que iria publicar. Nossa expectativa era mínima, então ficamos chocados com a resposta. Comemoramos durante semanas!

HQM: Por que a decisão de lançar o trabalho no exterior? Vocês tentaram publicá-lo aqui no Brasil?
Rafael Albuquerque:
Acho que a idéia de lançar no exterior, por incrível que pareça, é pela proximidade com os editores. Já havíamos ido para San Diego no ano anterior, conhecido muita gente lá e tínhamos feito alguns trabalhos para fora (coisa que não havíamos feito no Brasil). Então, além de atingir mais pessoas e ter o respaldo de uma das editoras líderes do mercado americano, os contatos foram os motivos que nos levaram a escolher publicar primeiro fora do Brasil. Sobre publicar o Crimeland no Brasil, temos que ver. Certamente há interesse. Existem editoras aqui que estão interessadas e se for sair por aqui, tem que sair pela editora certa.

HQM: Vamos falar um pouco sobre sua carreira. Você já publicou pela editora egípcia AK Comics, pelo Boom! Studios e agora está na DC Comics, desenhando a série mensal do Besouro Azul. Como você definiria esse momento atual de sua carreira?
Rafael Albuquerque:
Atualmente é bastante ocupado e rentável. Apesar da experiência de publicar super-heróis mensalmente em uma editora grande seja excelente, confesso que sinto um pouco de falta de trabalhar em projetos próprios. Mas acho que tudo tem seu tempo e estou curtindo muito trabalhar com a DC, são muito profissionais e tratam o artista com muito respeito.
 
Com tanta experiência no exterior, você certamente é uma pessoa que pode emitir uma opinião sobre o mercado nacional de quadrinhos. Qual a diferença entre trabalhar aqui e lá fora?
Rafael Albuquerque:
Ha! É difícil falar, pois nunca trabalhei aqui dentro. Pelo que converso com outros profissionais, vejo que o mercado nacional é bastante embrionário ainda. Não existem muitos profissionais que produzem somente quadrinhos para o Brasil e vivem apenas disso. Ainda não existe um público consumidor de quadrinho nacional muito grande. Fica difícil comparar com os EUA, Japão e Europa, por exemplo. Acho que esse mercado está começando a se formar e talvez em alguns anos existam mais consumidores e conseqüentemente um mercado mais estruturado.

HQM: Ainda aqui dentro, você participa de duas investidas nacionais no ramo dos quadrinhos - o Pop Art Studio e a unidade gaúcha da Quanta Academia de Artes. Fale um pouco sobre o trabalho desenvolvido nessas duas unidades.
Rafael Albuquerque:
Basicamente o PopArt é um estúdio que tenho em sociedade com Cris Peter. Tenho sorte de ter conseguido reunir a melhor equipe de profissionais com quem já trabalhei até agora.  Todos estão envolvidos em trabalhos com HQ para o exterior e o estúdio tem crescido muito nestes dois anos de estrada. A Quanta-RS é uma nova e feliz parceria com meu amigo Marcelo Campos na qual, lá dentro do nosso estúdio, realizamos cursos com a didática excelente que a Quanta oferece em São Paulo. Além disso, fazemos também palestras e exposições relacionadas a HQs. Estou muito orgulhoso do rumo que as coisas estão tomando.

HQM: Não dá para negar que há excelentes artistas brasileiros, seja produzindo material para as editoras estrangeiras, seja publicando HQs aqui mesmo no Brasil. Nesses últimos anos, principalmente em 2007, houve um grande número de publicações nacionais. Qual sua opinião sobre isso? O mercado nacional finalmente começou a se desenvolver?
Rafael Albuquerque:
Acho que os brasileiros estão finalmente descobrindo como se faz quadrinhos com a cara do Brasil. Acho que a aceitação do material brasileiro está aumentando e acho sim que lentamente o mercado está crescendo. Fico feliz de ver isso acontecer, realmente gostaria de publicar algo bacana no Brasil.

HQM: E quanto ao futuro? Existe algum novo projeto em produção?
Rafael Albuquerque:
Atualmente, estou bem ocupado com o Besouro e pretendo continuar trabalhando com a DC por bastante tempo. Tenho algumas idéias que desenvolvo no meu tempo livre e devem ser publicadas de médio a longo prazo. Vamos ver, não podemos ficar parados!


Para conhecer um pouco mais os trabalhos de Rafael Albuquerque, acesse o seu blog ou o site do PopArt Comics Studio.

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Capa de Cover Girl #5, pela Boom! Studios
 


 

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