MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
24/09/2007
COLUNA - AS RENEGADAS: AS HQS INÉDITAS NO BRASIL
 
 
Street Fighter
 
 
 
 
American Virgin
 
 
 
 
 
 
Living With Zombies
 
 
 
 
Wasteland
 



E aí, pessoal, como vão vocês? Nesta edição de As Renegadas teremos temas muito variados. Vamos passar por uma revista de ação, o melhor título Vertigo da atualidade, uma revista de zumbis diferente e finalmente uma visão interessantíssima do apocalipse. Boa leitura!


:: Street Fighter
Quem nunca jogou Street Fighter na vida levante a mão. Com certeza a grande maioria dos leitores aqui do HQM já jogaram, já viram algum dos desenhos animados produzidos para a série ou então já viram o filme. Alguns podem até ter lido as histórias em quadrinhos que eram publicadas por aqui, no início com material norte-americano e em seguida, com histórias produzidas no Brasil. E se você é um dos que acompanhou essa fase dos quadrinhos aqui no Brasil, pode esquecê-la.

Agora, se você não conhece nada de quadrinhos de Street Fighter, seja bem vindo à visão definitiva da série, feita pelo Estúdio Udon. A série é escrita por Ken Siu-Chong e desenhada por Alvin Lee, que caracteriza perfeitamente os personagens da série. E estão todos lá, desde o primeiro jogo da série, Street Fighter, passando pelas fases Zero, Zero II, Zero III, Street Fighter II e todos os que se seguiram. Até agora, apenas os personagens da terceira fase de Street Fighter, a mais recente, não deram as caras.

A trama, que não poderia ser diferente, conta a história de Ryu e seus amigos contra a organização terrorista Shadaloo. Está tudo lá: cada minúcia da história, cada detalhe, cada personagem, amarrados em uma cronologia de fazer inveja até para os jogos. Essa nova fase de Street Fighter é o sonho de todo fã do jogo, pois dá vida definitiva aos personagens que marcaram tantas infâncias e adolescências pelo mundo. Realmente vale a pena. E pelo o que ouvimos dizer, esse material poderá chegar ao Brasil em 2008 e poderá deixar de ser uma renegada. Duvida? Então, fique ligado no HQM para mais novidades muito em breve.


:: American Virgin

Não é a primeira vez que falo nesta coluna de Steven T. Seagle, mas não custa repetir: não, não é o cara de rabinho de cavalo que faz filmes de porrada e que recentemente lançou um CD porcaria nos EUA. Porém, essa é a primeira vez que eu venho falar de uma desenhista relativamente nova no mercado, mas muito promissora. Seu estilo é único, e pode desagradar muitos. Com certeza, ela nunca vai desenhar uma revista de super-heróis convencionais, não é seu padrão, seu nome: Becky Cloonan.

Muitos também não gostam de Seagle, talvez por suas passagens tanto nos X-Men quanto no Superman. O autor parece não se dar bem com quadrinhos de supers também, mas quanto o assunto é Vertigo, o autor é maravilhoso. Um exemplo disso é a graphic novel It’s a Bird, já comentada nessa coluna. Desta vez, porém, vamos falar de American Virgin, seu título pelo selo adulto da DC.

American Virgin é uma daquelas histórias que apontam para todos os assuntos que esse colunista adora ver em uma revista em quadrinhos: religião, política, comportamento adolescente, crítica aos estadunidenses. Trata-se de Adam, um garoto na faixa dos 20 anos que se diz abençoado, e que recebeu uma mensagem de Deus, que pediu para que o jovem poupe sua virgindade até o casamento, e propague essa mesma mensagem para o povo.

Adam tem uma escolhida, mas ela está na África como voluntária em programas sociais. Infelizmente, a garota é assassinada um dia antes de voltar para os EUA, o que leva Adam a questionar os desígnios de Deus e ir para o continente do outro lado do atlântico em busca de respostas.

A não ser pela religião, que cerceia a vida do garoto, ele é um pós-adolescente normal, com irmãos que podem ser tidos como “família modelo” para os padrões sociais de hoje em dia. É inegável, e Seagle não tenta esconder o fato que os jovens hoje usam drogas, querem independência, ouvem rock e buscam apenas sua própria diversão. A religião é assunto do passado para eles. Ninguém quer mais viver regido aos padrões de Deus, não em um mundo dilacerado pelo comércio e por assuntos mundanos.

Seagle ainda explora a tentativa de impor políticas ou religiões em povos diferentes às nossas tradições, e, bem sutilmente, mostra como a humanidade é quando um líder carismático surge. Até a mãe de Adam tenta lhe corromper, insistindo que o garoto entre para a política, se torne um líder não só religioso, mas também político. Becky Cloonan dá um show a parte na revista. Na série Demo, de Brian Wood, que vamos falar em uma próxima ocasião, ela está com um traço mais simples, e em American Virgin, as cores dão outro tom aos seus desenhos. Ela tem uma construção narrativa simples, sem grandes inovações que uma artista considerada independente poderia tentar.

É engraçado notar a diferença dos personagens no traço das capas produzidas por gente como Frank Quitely e Joshua Middletown com os desenhos internos de Becky. O primeiro é muito mais cuidadoso, seu traço se encaixaria perfeitamente na revista, mas mesmo assim Becky tem um algo mais em cima de Quitely. Seus personagens são visivelmente jovens rebeldes, bem construídos, talvez pela facilidade que a garota tem com esse estereótipo. Já a comparação entre Middletown e Becky é impossível, já que o artista faz das capas uma arte incomparável. Principalmente a da sétima edição, capturando o melhor momento da edição e o estampando de forma lisérgica na capa.

American Virgin tem tudo para ser um dos grandes títulos controversos na história dos quadrinhos, mas ainda está engatinhando. Se continuar no ritmo que está, tem boas chances de alcançar esse patamar.


:: Living With Zombies
Ah, que saudade de falar de uma boa revista de zumbis de novo. Aqui mesmo nesta coluna, falamos de boas e péssimas histórias de monstros e principalmente de zumbis. Mas nenhuma dessas histórias, boas ou ruins, têm o diferencial de Living With Zombies: o humor.

A série surgiu como webcomic em 2003, e passou para o papel em 2004 pela Frightworld Comics, em uma história que coloca os criadores da história, Matt Billman e Chris Herndon, como personagens principais de um conto em que os zumbis dominaram a Terra do dia para a noite.

Até aí, a única novidade são os criadores como personagens, mas, ao longo das primeiras páginas o leitor já percebe que eles estão adorando viver em um mundo sem humanos. De que outra forma poderiam sair cortando a cabeça de pessoas por aí, pegar tudo o que quiser sem pagar, principalmente quadrinhos e, o melhor, andar sem calças por aí? É isso que Chris decide que vai fazer, andar sem calças, enquanto Matt pega suas espadas de plástico e chama o amigo para um tour na cidade, para exterminar alguns zumbis e ir até a comic shop mais próxima pegar o máximo de quadrinhos que conseguir.

A grande sacada da revista é mostrar como as pessoas mudam em um mundo dominado por zumbis, plot recorrente em toda história do gênero, desde George Romero até Os Mortos-Vivos, que inclusive recebe uma homenagem em uma das páginas da revista. Mas, você pode estar se perguntando: “se é um tema recorrente, por que é uma grande sacada?”.

A resposta é simples: no meio da trama a amizade se esvai por egoísmo de Matt, que tendo cumprido seu objetivo – pegar os quadrinhos – foge e deixa o amigo sozinho na cidade. Desde a primeira edição do título fica explícito que era o sonho dos garotos encontrar zumbis apenas pela diversão de exterminá-los juntos, mas mais uma vez o individualismo se sobressai.

Todo o resto é resto em Living With Zombies. Os desenhos são péssimos, a estrutura de narrativa é confusa, e os textos em excesso muitas vezes são desnecessários. Por outro lado, é uma história feita com sinceridade, é a exposição de dois grandes sonhos dos criadores: fazer quadrinhos e se meter com zumbis. Muitas vezes, essa sinceridade e amor por uma história divertida vale muito mais do que desenhos e cores maravilhosas, elementos muitas vezes vistos em quadrinhos mainstream, que são levados muito mais a sério por fãs de quadrinhos, que não aceitam um desvio em cronologia, um tropeção de roteirista, desenhista ou colorista que for.

Living With Zombies
com certeza é uma das minisséries toscas mais legais dos últimos anos.


:: Wasteland
Desde que Stephen King deu sua visão do fim do mundo no enorme livro A Dança da Morte, nenhum conto sobre o Apocalipse teve tanta profundidade e trouxe tanto interesse quanto Wasteland, da Oni Press. Se A Dança da Morte narra o fim do mundo desde seu início, seguindo a vida dos sobreviventes passo a passo até um ponto chave que define a reestruturação da humanidade, em Wasteland acompanhamos os passos de uma civilização que após cem anos de um evento chamado de “a grande seca” ainda sobrevive do nomadismo, em condições quase pré-históricas.

Anthony Johnston situa seus personagens neste cenário, que a primeira vista é muito menos rico do que ele se mostra ao longo da história. O conflito é primeiramente dividido entre as pessoas do pequeno ponto de passagem Providence e os Sand Eaters, que poderíamos chamar de bárbaros do futuro. Tudo muda quando um estranho andarilho, de nome Michael, reacende o desejo do povo de Providence de achar uma cidade lendária.

Johnston trabalha com calma a história, sem pressa, sabendo onde quer chegar. Cada edição tem a característica de contar um evento apenas, bem detalhado. Não parece ser um plano do roteirista jogar com personagens e situações esparsas ao longo do título. Um bom exemplo é a segunda edição, que mostra o povo de Providence migrando para a cidade de New Begin, enquanto lá um informante já chegou anunciando a migração.

Uma temática muito reforçada e que também atrai no livro é a mistura dos elementos do nosso cotidiano sendo mostrados como enferrujados e inúteis neste futuro desolado, enquanto que essa tecnologia dá lugar ao misticismo politeísta que calcaram as antigas religiões ao longo do desenvolvimento da civilização humana.

Os desenhos de Christopher Mitten não têm sombras ou rachuras, fato que reforça a presença da “grande seca” ao longo de toda história. É um traço simples, porém colocado de forma muito detalhada nas construções de cena. Mitten utiliza poucas margens, mas quando o faz, sempre dá um jeito do desenho se estender ao longo delas, principalmente em cenas externas, o que faz com que não só aquele pedaço de terra retratado ali pareça vítima da seca, e sim toda a imensidão desértica que é a Terra.

Wasteland não ganhou a atenção devida, principalmente por estar sendo lançada por uma editora independente, mas muito competente como a Oni Press e, claro, também merecia mais atenção aqui no Brasil, onde praticamente nenhum leitor parece ter ouvido falar da série.


Gostou desta edição de As Renegadas? Odiou algum dos meus comentários? Quer ver seu título favorito sendo comentado aqui neste espaço? Envie um e-mail para billybatson@hqmaniacs.com, cruze os dedos e com certeza você verá sua sugestão por aqui. Se não quiser sugerir nada, mas deseja bater um papo, o e-mail é o mesmo. Por enquanto fico por aqui. Até a próxima edição.

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