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03/05/2007
ESPECIAL: O FIM DE 52 - ECOS DA CRISE NO UNIVERSO DC
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 



Atenção: este artigo contém fatos ainda inéditos no Brasil.






“É um ano depois, e...”. Foi assim que, há pouco mais de um ano, todas as revistas da DC Comics se iniciaram. Mas, por que?

Simples. Perto do fim da Crise Infinita, a DC Comics fez algo nunca antes tentado: pulou um ano na cronologia de todos os heróis. Algumas mudanças vieram sem explicação, como um novo Aquaman ou uma nova Mulher-Maravilha. Outros personagens estavam, e ainda estão, desaparecidos. É aí que o leitor torce o nariz.

Um novo leque de histórias estava aberto, prontas para serem contadas. Isso facilitou muito a entrada de um novo leitor no universo da editora. Pelo menos foi esta a propaganda da DC Comics na época do pulo de um ano.

E junto com este pulo veio a história que prometia contar todo o ano pulado. 52 tinha uma premissa inovadora e uma concepção mais ainda. Seria contada em tempo real, uma revista por semana durante as cinqüenta e duas semanas do ano. Prometia contar detalhadamente como as mudanças vistas no pulo de um ano aconteceram. E, acima de tudo, mostrou aos leitores que não é só de super-heróis de primeira linha que se faz uma boa série.

E, um ano depois, tudo se provou verdadeiro. É claro que nem todas as explicações foram muito bem dadas (algumas parecem ter sido dadas às pressas), mas Geoff Johns, Mark Waid, Greg Rucka e Grant Morrison seguraram muito bem a pressão e construíram uma bela história em quadrinhos, que prova que mega-eventos não são o essencial no mundo dos super-heróis, e os colocou em seu devido lugar: eles são necessários, mas como ponto de partida para uma nova direção, e não como fator determinante das mudanças.

O time de personagens escolhido para se contar 52 foi, no mínimo, inusitado. Quem há um ano poderia dizer que o Adão Negro funcionaria tão bem atuando com a policial Renée Montoya; ou que o Gladiador Dourado poderia ser um personagem profundo mesmo com tantos anos sendo retratado como o pífio herói que ninguém deseja atuar em conjunto?

E quem diria que um ano depois uma pequena lágrima se formaria no canto dos olhos ao ver o derradeiro destino de Ralph Dibny na última página da série, ou que inflamaria de ódio pelo destino do mais novo querido herói da editora, Adão Negro?

52
foi isso e muito mais. Trouxe saudade do Homem-Animal de Grant Morrison. Trouxe vida nova ao Aço, complexidade ao eterno vilão Lex Luthor, e até uma grande dose de alegria em ver Lobo – o Maioral – nas páginas de uma revista da DC Comics novamente.

Por um ano 52 foi mais que uma saga que tinha como propósito mostrar as mudanças que um ano trouxeram na vida dos super-heróis. Foi um exemplo de como se escrever bem. E não falo de se escrever QUADRINHOS bem. 52 foi uma série que humanizou todos os envolvidos, em maior ou menor escala. Comédias e dramas foram muito bem construídos; o psicológico dos super-heróis foi muito explorado na série. Quem não sofreu junto com Ellen Baker na edição de Natal pode se considerar um completo sem coração. Quem não entende o sofrimento pela perda de um ente querido nunca irá aceitar as ações de Cassandra Sandsmark nas primeiras semanas de série.

Além de tudo, 52 se encerrou muito acima da média dos quadrinhos feitos atualmente. Sua última revelação fará leitores mais fanáticos abrirem um enorme sorriso de felicidade. Acompanhar semanalmente a série foi quase um ato religioso. Esperar a semana seguinte foi quase um calvário. Sim, é só uma série de quadrinhos, mas melhor que a espera seja um calvário do que uma reza para que o próximo número seja melhor. E número após número, 52 mostrou que valia a (curta) espera. Salvo alguns pequenos deslizes, a história foi contada perfeitamente.

52
provou que séries semanais são perfeitamente viáveis. 52 criou nos leitores o costume de se acompanhar uma história com essa periodicidade. Não conheço fãs de quadrinhos o suficiente para fazer essa afirmação, mas mesmo assim a farei por intuição: todos que agüentaram por um ano 52 já estão ansiosos para ler Countdown.

Aliás, Countdown para o quê? Não sei. Mas também não sabia o que significava 52, e nem por isso deixei de acompanhar a série. Então, que comece a Contagem Regressiva. Até daqui um ano!

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