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17/10/2006
COLUNA - AS RENEGADAS: AS HQS INÉDITAS NO BRASIL
 
 
Leave it to Chance
 
 
Página de Leave it to Chance
 
 
Free Fall
 
 
Página de Free Fall
 
 
Sundown Arizona
 
 
Testament
 
 
 
 



E aí, pessoal! Chegamos a 15 colunas, e quem diria que existe tanta coisa legal lá fora que ainda não saiu por aqui, hein? Mas nem tudo são flores. Alguns títulos são de qualidade duvidosa, apesar de outros superarem as expectativas.

Desta vez, analisaremos Leave it to Chance, de James "Starman" Robinson e Paul "X-Men" Smith; Free Fall e Sundown Arizona, da independente Arcana Studio e da italiana Narwain, respectivamente; e Testament, de selo Vertigo, escrito por Douglas Rushkoff com arte de Liam Sharp. Vamos lá?


:: Leave it to Chance
A fórmula não é original, mas a história sim. Uma garota adolescente e seu dragãozinho roxo voador enfrentam vilões para salvar o mundo. Não, não estamos falando da Kitty Pryde, dos X-Men, e sim de Chance, a filha de Falconer, um herói que salvou o mundo de um demônio.

É tradição secular na família de Chance que se passe geração por geração o treinamento que faz dos homens heróis. Porém, a garota é proibida de ter acesso a esse treino, mesmo sendo filha única – apenas por ser uma menina. Sua escolha não é diferente. Ela e seu animal de estimação começam a investigar acidentes e crimes sobrenaturais para provar a seu pai que é capaz de ser um dos Falconer e que pode honrar o nome da família.

A história parece clichê, se não fosse escrita por um dos mestres modernos dos quadrinhos, James Robinson, que depois de Leave it to Chance foi para a DC começar seu grande projeto: Starman. Os desenhos também são maravilhosos, do mestre Paul Smith, que inclusive trabalhou na animação baseada no livro O Senhor dos Anéis, em 1977. Smith também foi o substituto de Dave Cockrum nos X-Men durante os anos 1980, mas seu maior trabalho independente é com certeza Leave it to Chance.

Leave it to Chance, que originalmente foi publicada em 1996 pela Homage, o selo da Image que inclusive publicou Estranhos no Paraíso por um breve período, ganhou entre outros prêmios o Harvey de Melhor Série em 1997 e dois prêmios Eisner no mesmo ano, nas categorias de Melhor Série Nova e Melhor Título para Leitores Jovens.

Com tantos prêmios e nomes de peso, é difícil pensar o porquê da mini-série nunca ter sido publicada no Brasil.


:: Free Fall

Como Jeph Loeb escreve na introdução dessa história, o estilo Free Fall de se contar histórias é posterior ao Noir nos cinemas. Ao invés de filmes escuros, com detetives sombrios, Free Fall conta principalmente histórias de assaltantes de bancos que o fazem a luz do dia. Um bom exemplo de filme nessa linha (e essa é uma indicação minha e não de Loeb) é Um Dia de Cão, estrelado por Al Pacino.

Vamos então à história de Free Fall, da editora italiana Narwain: um grupo de amigos deseja desesperadamente roubar 10 milhões de um banco, mas precisam de um disfarce para que as câmeras não percebam o roubo até que os funcionários vejam os cofres vazios. Sem sucesso, eles discutem mas não encontram uma solução.

Até que, por um golpe de sorte, eles encontram Sean, um perdedor na vida, que mora em um trailer com sua namorada e que acaba de descobrir que vai ser pai, sem ter o mínimo de dinheiro para sustentar uma família. Em uma negociação, eles pedem para que o garoto tente se jogar de cima do prédio do banco, e que realmente se mate no final para que ninguém o identifique e vá atrás dele. A lógica é simples: toda a atenção vai ficar do lado de fora do banco, enquanto a gangue pode entrar com facilidade e promover o assalto. O que Sean ganha com isso? Uma boa vida para a namorada e o filho. Ele aceita? O golpe vai dar certo?

A Narwain entrou com tudo no mercado americano, e um dos nomes que mais trabalham hoje em dia na indústria faz parte da revista, Jimmy Palmiotti, esposo da desenhista de JSA Classified Amanda Conner e mais conhecido pelo seu longo trabalho de arte-final na série Preacher, de Garth Ennis e por seu roteiro em Bela Assassina, lançado por aqui pela Devir. Os layouts da revista, o modo de se contar a história, os desenhos e a própria história em si são primordiais, prendem bem a atenção, e o assunto abordado faz tudo ficar mais divertido ainda. Procure e veja você mesmo.


:: Sundown Arizona
Mas, nem só de boas idéias vivem os quadrinhos. Existem também aquelas clichês. Que tal um faroeste com monstros? Gostou da idéia? Leia Sundown Arizona, lançado pela independente Arcana Studio. Não gostou, fuja, não vai perder nada.

Quando o sol se põe no Arizona em 1880, coisas estranhas acontecem. Alguns padres estão sendo mortos em toda a extensão do deserto, e Will Dalton, um jornalista do New York Herald é designado para cobrir a história. É uma boa chance, já que seu irmão é xerife de uma cidadezinha do estado. Juntos, eles deverão descobrir quais os mistérios e a verdade por trás dos estranhos assassinatos.

A revista foi lançada pela pequena editora Arcana, que também funciona de estúdio, no qual seu principal produto é o mangá Fruit Baskets, lançado no Brasil pela JBC. A série foi (mal) escrita por Jay Bubsee e (mal) desenhada por Ryan Bodenheim. Está bem, confesso que estou sendo chato demais com a série. Os desenhos de Bodenheim não são tão ruins assim. O grande problema é que logo na segunda edição da minissérie, que tem ao todo três partes, o desenhista muda, e piora. Jason Ossman assume o traço, e a série, que não era uma grande maravilha, decai ainda mais.

Sundown Arizona não é ruim apenas por sua história – é ruim por acabar com um conceito que poderia ser muito melhor utilizado nas mãos de um roteirista mais experiente, já que mistura monstros e faroeste, dois gêneros já consagrados na história do entretenimento.


:: Testament
Você conhece a história da Bíblia? Acha que conhece? Sabe quais são os verdadeiros ensinamentos que ela prega? Se você vive no mesmo mundo que eu, no máximo você só deveria responder afirmativamente a segunda questão. Você sabia que na primeira versão escrita o Inferno não existia? Sabia que ele só foi inserido no livro no século quarto? Douglas Rushkoff sabe, ele é aficionado pelo assunto, e agora vai nos contar a verdadeira história sem intervenções da mídia ou de interesses da própria igreja católica. Ou pelo menos, é essa sua promessa. A revista? Testament, do selo Vertigo.

Nela, um universitário, Jake Stern, e um grupo de amigos ativistas resolvem contar a história como ela deveria ter sido contada. O problema é que há uma lei que diz que todos os jovens devem ter um nanochip em seus corpos para identificação e localização por um órgão do governo. Ou seja, cria-se o pacifismo induzido. Seus amigos, porém, retiraram os chips de seus corpos.

Há todo um problema que vem desde a época antiga, quando Abraão não sacrifica o filho e o substitui por um carneiro, gerando insatisfação em alguns deuses antigos. A história se repete com Jake. Seu pai trabalha na companhia que desenvolveu os chips, e ele é obrigado a inserir seu filho no sistema. Como Jake nega, com a ajuda da mãe francesa, que acredita na liberdade porque em seu país o chip não é obrigatório, o chip pára no cachorro da família. É outra repetição do sacrifício mal sucedido e mais uma vez os deuses ficam insatisfeitos. Como vai se dar o Apocalipse agora?

Sou suspeito para falar da revista. Gosto muito de assuntos políticos e aprecio quadrinhos inteligentes. Isso sem falar de boa arte, que aqui fica a cargo de Liam Sharp. Não vale ser Renegada – esse tapa na cara deveria atingir a todos. Mais uma boa série do selo Vertigo, da DC Comics.


Na próxima edição: um especial do louco roteirista Warren Ellis. E não esqueça: se você quer saber sobre alguma HQ ainda inédita no Brasil, envie sua sugestão para billybatson@hqmaniacs.com

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