MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
03/07/2006
ENTREVISTA: ESTEVÃO RIBEIRO
 
 
Arte de Amauri Ploteixa
 
 
Tristão e Elisa - arte de Felipe Carvalho
 
 
Arte de Felipe Carvalho
 
 
Tristão e Elisa - arte de Amauri Ploteixa
 
 
Graphic Talents #3: Tristão
 
 
Mini Gibi - O Jovem Máscara Branca
 
 
Tristão: Senhor do Fogo
 
 
 



Intróito para entrevistas de profissionais dos quadrinhos brasileiros é manjado. Começa com toda aquela história de “publicar-quadrinhos-no-Brasil-é-difícil”, acompanhada de “maldição-do-número-um” e de mãos dadas com “problemas-sócio-culturais-no-país”.

Não vou encher a cabeça do leitor com aquilo que ele já está careca de saber, pois quem se der ao trabalho de ouvir o que Estevão Ribeiro (criador do personagem Tristão, publicado nacionalmente pela editora Escala em 2001 e atualmente completando três anos fora das bancas) tem a dizer, já sabe de tudo isso. Então vamos ao que interessa.


1 - Vamos começar pelas apresentações. Diga o que quiser sobre você.
Estevão Ribeiro:
Certo! Meu nome é Estevão da Matta Ribeiro, nascido em Vitória-ES, tenho 26 anos. Casado, sem filhos, estudante de Artes Visuais da Universidade Federal do Espírito Santo, Infografista do jornal A Tribuna, ilustrador e roteirista nas pouquíssimas horas que me sobram e sonhador em tempo integral.


2 - Esta entrevista vai tratar principalmente do seu personagem "Tristão". Mas para que não sejamos injustos com seus outros possíveis projetos, fale um pouco deles.
Estevão:
Na verdade, como todo o interessado em entrar nesse grande ramo que é o entretenimento, tenho um bocado de projetos. É como se estivéssemos famintos e atiramos no escuro para todos os lados, esperando que algum acerte uma caça. Mas mesmo quando acertamos, como achá-la? Por isso, decidi atirar para um lado, andar em direção aquilo até tropeçar na caça. Se não achá-la, não terei acertado. Então miro para outro lado e atiro... Tristão é um tiro para um lado que imagino ser certo.

Fora isso, tenho trabalhado num curta-metragem chamado "O Fantasma do Galeto Assado". É a história de um porco chamado Alfredo, que é atacado pelo frango assado de quem ele comeu a coxa, antes de dormir.

Além disso, tenho um livro de terror chamado "A Corrente", falando sobre terror na Internet. Mas como eu lhe falei, um tiro de cada vez, senão gastamos as balas e morremos de fome.


2.1 - Este curta parece ser bem interessante. Que tipo de animação será empregada? Há algum prazo para a sua conclusão ou você não está pensando nisso ainda?
Estevão:
Será animação tradicional, em 2D. Ela já está roteirizada e o storyboard eletrônico está quase concluído. Assim, teremos como mostrar para possíveis patrocinadores a história de forma mais fiel às idéias. O curta terá 7 minutos e, com a devida verba, terminaremos a animação em cerca de 6 meses.


3 - Fale um pouco sobre a gênese de Tristão.
Estevão:
O Tristão se chama Ronaldo Barcelos e é filho do chefe de uma organização criminosa chamada os Máscaras Brancas. São assassinos que, apesar de não terem uniformes (não obrigatoriamente), eles têm as suas identidades preservadas por uma máscara branca. Seus nomes são substituídos por números, que indicam a posição de cada um na hierarquia da organização.

Então, cada máscara branca é chamado pelas iniciais MB, seguidas de seu número na hierarquia. Ronaldo era o MB13 e pertencia ao primeiro escalão de assassinos. Ao todo, a organização contava com 60 membros, antes de algo muito grave acontecer ao Tristão e ele matar boa parte deles...


3.1 - Em termos editoriais, como tem sido a carreira do vigilante desde a sua criação, em 1999?
Estevão:
O Tristão foi criado em 1999, época em que eu ficava vendo meus colegas jogarem "The King Of Fighters",  game de luta que me atentou para o fato da maioria dos personagens de videogames de luta não usarem uniformes, apesar da postura de heróis ou vilões que eles tinham. Deixei uniformes de lado e foquei num personagem onde a parte mais expressiva seria a máscara, que por sua vez, não tinha expressão. Se repararem bem, uma grande inspiração para a máscara foi o Pirata Psíquico, personagem da DC com um grande destaque em Crise nas Infinitas Terras.

No dia 5 de maio de 2000, Tristão estreou com a história "Bom Apetite" no segundo caderno do jornal Notícia Agora, onde teria mais três histórias: "Do Mesmo Lado", "O Encontro", ambas disponíveis online e "Eu Prometo", que será publicada no blog em breve. No ano seguinte, o personagem participou do bem intencionado projeto Graphic Talents, da Editora Escala. Foi assim que o personagem ganhou seus poucos, mas carinhosos fãs.

No ano seguinte, tentei contar a origem do Tristão, explicando as suas motivações, então eu lancei, de forma independente, o MiniGibi de nome "O Jovem Máscara Branca", que mostra Ronaldo Barcelos fugindo de seu pai, líder da organização dos Máscaras Brancas, que quer transformar o filho em seu sucessor. Só houve uma edição da história, que tem até um segundo número feito, mas descontinuado. Depois disso, Tristão apareceu apenas em poemas e, finalmente, estou produzindo, junto com Will Walber e Lula Borges, responsáveis pelos desenhos e cores, respectivamente, preparando a mais nova história do personagem.


3.2 - Neste novo ciclo do personagem, você irá dar continuidade ao universo que criou ou começar tudo do zero?
Estevâo:
Talvez os personagens sofram uma revisão, mas vai depender da aceitação do Tristão. Apesar de gostar muito do uniforme do Padre, acho que fantasias são complicadas para seres sem poderes. Se me animar, possivelmente alguns personagens mudarão. Aliás, poucos personagens foram mostrados ao público; falta a Boneca de Trapo, Cabo Ribeiro, Saulo Navalha... Há muita coisa para fazer, ainda.


4 - A julgar pela arte, parece-me que Tristão tinha a intenção de ser um quadrinho em estilo mangá. Ou você acredita que a história não se encaixe em nenhum “padrão”?
Estevâo:
Na verdade, sempre quis fazer um personagem no estilo americano, mas sou um grande apreciador do mangá. O Amauri Ploteixa, que desenhou quase todas as histórias do personagem não foi uma escolha. Ele apareceu com um estilo que gostava e se encaixou com o que eu gostava de ver na época (Cavaleiros do Zodíaco, YuYu Hakusho...), mas sempre gostei de ler comics, então, a mistura deu nisso:

Uma narrativa no estilo americano, haja vista que é um estilo mais econômico, que nos permite contar histórias por recordatórios (ao contrário do mangá, que a linguagem gráfica é predominante, com longas cenas de movimento, páginas inteiras mostrando a casa de uma pessoa, mais três quadros mostrando elementos do quarto, com pouquísimas frases ou uma palavra sequer) com uma arte baseada no mangá, um estilo com traços mais simples, assimiláveis e ao mesmo tempo dramático, essenciais para um personagem como o Tristão.


4.1 - A arte agora está nas mãos de novos desenhistas, Will Walber e Lula Borges. Teremos boas surpresas?
Estevão:
Com certeza! O Will Walber é um ilustrador primoroso e o Lula tem uma bagagem interessante de trabalhos para algumas editoras alternativas nos EUA. Eles têm uma responsabilidade nas mãos, que é mostrar para o público do Tristão a reformulação do visual do Tristão, que veio para "contemporanizar" o personagem. Além disso, ele mudará de arma, deixando a tradicional katana de lado, dando lugar a... Bem, deixemos isso para mais para frente!


5 - A notícia mais recente do seu site diz que você está preparando Tristão para o mercado americano. Fale um pouco mais sobre isto.
Estevão:
Bem, sempre foi meu sonho produzir histórias do Tristão para um mercado grande, ou ao menos minimante rentável. E infelizmente, o mercado brasileiro não é esse. Não podemos culpar os nossos editores, pois apesar de gostarem de quadrinhos, eles estão nisso por grana e eles não podem investir num produto sem um histórico de sucesso. Então, eles se limitam a trazer materiais importados, sucessos de venda de outros países.

Devido a esse pensamento editorial brasileiro, que desestimula os interessados a ingressar nessa empreitada ingrata, tenho buscado o mercado exterior desde a criação do Tristão. Depois de barulhar muito um agente de ilustradores brasileiros para o mercado americano, ele falou para eu traduzir uma história do personagem e mandar para ele tentar vender. E é o que estamos fazendo.


5.1 - Você também pensa em investir no mercado europeu – como Portugal e Espanha?
Estevão:
Penso sim! Aliás, tenho colegas na Angola e Portugal, além do desenhista Felipe Carvalho, que tem dois de seus desenhos no blog Uma Lágrima, que mora na Itália. Apresentar material para editoras de lá é uma questão de tempo.


6 - Obrigada pela gentileza de me conceder o seu tempo. Agora o espaço é seu. Fale tudo o que quiser para quem quer que seja, sem censuras. Sinta-se à vontade para dar o seu recado!
Estevão:
Sou eu quem agradeço a oportunidade de falar desse personagem, que mesmo com uma única edição lançada há mais de 4 anos, ainda habita no consciente de um ou outro amante de quadrinhos. Você com certeza deu mais uma oportunidade dessas pessoas, juntamente com novos curiosos, de saber um pouco do Tristão.

O recado que deixo para essa galera: tenham paciência, que logo logo o Tristão aparecerá numa história surpreendente e com o visual que você pode conhecer no www.oficinahq.zip.net. Obrigado!


Jussara Nunes é responsável pelo blog Vida Dura de Quadrinista.

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