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29/05/2006
REVIEW - CINEMA: X-MEN - O CONFRONTO FINAL
 
 
X-Men: O Confronto Final
 
 
Wolverine
 
 
Jean Grey
 
 
Ciclope
 
 
Tempestade
 
 
Fera
 
 
Colossus
 
 
Anjo
 



Antes de começar esse review, vale a pena fazer algumas colocações. Como o nome já diz, um review é uma análise de algo já visto (ou lido, etc), assim sendo, você encontrará diversos spoilers de X-Men: O Confronto Final por aqui. Então, se você não quiser estragar grandes surpresas, é melhor parar a leitura por aqui.

:: OS PERSONAGENS
Agora vamos ao filme: a terceira aventura dos pupilos do Professor Xavier é extremamente empolgante e surpreendente, com muita ação, contudo existem grandes problemas na trama, e o principal deles é o excesso de personagens, que acabam se tornando pouco mais do que figurantes. O receio de que isso acontecesse já estava presente em todos que acompanharam as notícias da produção, mas, no geral, todos acreditavam que somente alguns dos novos (nas telas, claro) personagens seriam pouco desenvolvidos. Contudo, até mesmo personagens já estabelecidos na franquia foram pouco usados.

Entre os novos rostos, o caso mais agravante foi o do Fanático (interpretado por Vinnie Jones). Embora bem caracterizado, com seu jeito “cavalão” e simples de ser, o personagem aparece muito pouco na tela, sendo, inclusive, derrotado fácil demais. E essa pouca participação foi uma grande surpresa, visto que no início da produção o Fanático era de quem mais se ouvia falar. Grande parte da culpa pelo pouco aproveitamento do personagem se deve às modificações feitas. No filme, Cain Marko é um mutante, portando seus poderes não têm origem mística e ele não é meio-irmão do Professor Xavier (Patrick Stewart). Ao mesmo tempo em que esses elementos tornam muito mais fácil e até plausível a participação do personagem, são eles também que eliminam um aprofundamento, afinal, qual melhor modo de explorá-lo do que contando sua origem?

Do lado dos veteranos, o caso mais curioso foi o de Ciclope. Sua participação no filme é minúscula, mas ainda assim é a melhor representação do ator James Marsden em toda a franquia. Mesmo nestes poucos minutos, o herói evolui para muito além da participação apática das duas aventuras anteriores, mostrando sentimentos que antes ou não eram explorados ou eram retratados de modo risível, como quando Xavier encontrava-se em coma no primeiro filme.

A grande maioria dos novos membros da Irmandade de Mutantes (ainda não sendo intitulada apropriadamente) está totalmente alterada e mal usada. Callisto (Dania Ramirez) só obedece a ordens, seu visual é absurdamente diferente do que deveria ser e até seus poderes foram alterados, com a personagem apresentando supervelocidade e o poder de rastrear mutantes, que nos quadrinhos pertence a Caliban, antigo companheiro da personagem nos Morlocks. O único ponto positivo é que exploram sua rivalidade com Tempestade, muito embora tal rivalidade exista sem uma justificativa na produção.

Spike (Lance Gibson), que poderia ser inspirado tanto no membro dos X-Táticos quanto no personagem do desenho X-Men: Evolution, não lembra nem remotamente nenhum dos dois. O Ômega Vermelho (Vince Murdocco) é ainda pior, se não fosse pela tatuagem do ômega e notícias anteriores, muita gente nem mesmo saberia que era ele no filme. Incluindo o pessoal da produção pelo visto, já que nos créditos ele aparece como “Omega Mutant”. No caso de Psylocke (Mei Melançon), nem a percebi no filme, só fui perceber que ela estava lá ao pesquisar o nome de alguns atores para este review. Além disso, os nomes de alguns personagens ou não são citados ou o são rapidamente, não dando tempo para quem não é leitor de HQs compreender quem é quem. É melhor nem entrarmos na questão das dezenas de mutantes não identificados, que por vezes levantam a hipótese de ser algum personagem conhecido, sem conseguirmos confirmações.

Agora vejamos o lado positivo da Irmandade. A participação de Mística (Rebecca Romijn) é outra bem pequena, mas que não feriu o andamento da história nem a importância da personagem considerando a trilogia como um todo. É muito bem vindo o cuidado de mostrar a forma humana da personagem sendo morena como nos quadrinhos, já que a atriz é loira, como visto no filme anterior.

Pyro (Aaron Stanford) continua sendo muito bem explorado, mantendo-se um personagem muito mais interessante no cinema do que nos quadrinhos, onde não tinha uma personalidade bem definida. Arco Voltaico (Omahyra) é daqueles casos onde não há o que se comentar. Não tem personalidade, assim como não tem nas HQs e teve suas habilidades respeitadas. Já o Homem Múltiplo (Eric Dane), apesar de estar do lado errado, afinal deveria ser um herói, foi bem retratado em sua breve participação, seja pelos seus poderes, pela semelhança física do ator ou por seu jeito “descolado”, que foi muito fiel ao original. Sem contar que os poderes do personagem são responsáveis por uma das melhores sacadas na história.

Ian McKellen mantém o ótimo desempenho do segundo filme, sendo o melhor ator da produção. O destaque vai para o uso de seus poderes (do que falarei mais à frente) e todas suas cenas com ou sobre o Professor X, que apresentam a dualidade do personagem melhor do que nunca.

Entre os heróis o destaque é o Fera (Kelsey Grammer) com um visual impecável e muito fiel ao original das HQs, seja em seus diálogos ou nas cenas de luta. O melhor é ver o bordão “Minha Santa Acherupita” utilizado, ponto positivo para a tradução. Se por um lado seus dotes científicos e diplomáticos são bem utilizados, fez falta seu habitual bom humor. O Anjo (Ben Foster) é outro com o visual perfeito. Suas asas são incrivelmente realistas, mas sofre por ser outro personagem mal utilizado, cuja relevância para a trama é somente ser o elo que nos mostra o desenvolvimento da cura mutante. Cura esta proporcionada pelo jovem mutante Sanguessuga (Cameron Bright) com visual demasiadamente humano.

Hugh Jackman continua sendo um bom Wolverine, mas ainda é decepcionante vermos que, mesmo com filme solo já anunciado, o personagem continua sendo o astro principal de X-Men, roubando até mesmo o papel de Scott Summers como o amor de Jean Grey. O ator já expressou que não quer que o filme de Wolverine se torne um novo X-Men disfarçado de Wolverine, mas não parece notar que todos os X-Men são um Wolverine disfarçado, ainda que este terceiro episódio tenha amenizado isso um pouco. É interessante notar como os efeitos especiais das garras e do fator de cura evoluíram filme a filme.

O Professor Xavier está mais ativo, interagindo mais com seus alunos numa ótima interpretação de Patrick Stewart. Seus diálogos com Wolverine, Fênix e Magneto foram muito bem arquitetados e fogem do óbvio, não mostrando mais um Xavier sempre calmo e tranqüilizador, forçando o personagem a confrontar as opiniões contrárias de outros, como Wolverine.

O Homem de Gelo (Shawn Ashmore) mantém o nível do filme anterior, com seus poderes sendo muito mais explorados, bem como sua posição na Escola Xavier. Vemos até mesmo ele adotar sua clássica forma de gelo, só ficaram faltando as famosas pistas de gelo. Contudo, sua personalidade continua muito distante dos quadrinhos, lembrando um pouco a sua versão Ultimate, mas ainda assim sem se manter muito fiel.

Kitty Pryde (Ellen Page) tem duas boas cenas: uma com o Homem de Gelo (mais pelo uso dos poderes do que pelos diálogos chatos) e outra contra o Fanático. Usa bem seus poderes, mas apresenta uma personalidade de mocinha indefesa que com certeza decepcionou os fãs da heroína. Isso sem contar a total falta de interação com Colossus (Daniel Cudmore), que deveria ser seu interesse romântico. O herói russo (cuja nacionalidade nem mesmo é citada) é outra desagradável surpresa. O ator, como já disse na época de X-Men 2, é idêntico ao personagem e o efeito de sua forma metálica é perfeito, mas sua participação maior, tão alardeada durante a produção do filme, não foi tão grande assim. Um verdadeiro desperdício não termos visto uma luta entre ele e Fanático.

Vampira (Anna Paquin) veio tendo sua participação reduzida a cada filme, resultando numa participação pífia nesta terceira aventura. Ainda assim, foi lógica e acertada sua decisão em aceitar a cura mutante. Já Tempestade (Halle Berry) muito pelo contrário, foi crescendo desde o primeiro filme, culminando numa personagem bem próxima ao que víamos nos quadrinhos nos bons tempos anteriores aos anos 90. Parece que as reclamações da atriz surtiram efeito para o prazer dos fãs.

Famke Janssen fica num meio termo no saldo final da trilogia, interpretando Jean Grey e sua personalidade maligna, Fênix. Como 90% dos atores/personagens, passou praticamente em branco no primeiro filme, mas já se ressaltou no segundo. Nesta terceira aventura representa bem o descontrole da Fênix, mas infelizmente a produção falhou em mostrar a dualidade da ex-heroína, se concentrando demais na persona da Fênix.

:: AS INSPIRAÇÕES
Como toda boa adaptação de HQs de super-heróis, X-Men: O Confronto Final apresenta diversas cenas totalmente inspiradas nas histórias originais dos personagens. Além disso, conta com a tradicional participação especial de Stan Lee, desta vez acompanhado de Chris Claremont, que a despeito das fraquíssimas histórias atuais, foi quem alavancou os mutantes para o sucesso. Ambos aparecem logo no início do filme, quando Magneto e Xavier visitam a jovem Jean Grey.

Algumas cenas e elementos notadamente foram inseridos no filme somente para apreciação dos fãs, visto que não acrescentam nada ao enredo. É o caso da cena na Sala do Perigo, quando a equipe enfrenta um Sentinela, que infelizmente não lembra muito o robô das HQs. É a mesma coisa com a Dra. Kavita Rao (Shohreh Aghdashloo) e com o Secretário de Defesa Trask (Bill Duke), que foi uma forma de citar Bolívar Trask, o falecido criador dos Sentinelas nas HQs. À primeira vista Moira MacTaggert (Olivia Williams) cairia na mesma categoria, mas sua presença se torna de grande importância quando vemos a surpresa apresentada depois do final dos créditos. Sem dúvida um dos elementos que mais agradou foi o arremesso especial, a famosa manobra de ataque de Colossus e Wolverine.

Entre as cenas inspiradas nos quadrinhos, podemos destacar o momento em que Jean pede para ver os olhos de Scott, cena idêntica a uma dos quadrinhos, onde Fênix, antes de se tornar maligna, faz o mesmo pedido a Scott, que reage do mesmo modo.

Boa parte das inspirações vieram do Universo Ultimate, como o triângulo amoroso formado por Kitty, Homem de Gelo e Vampira; e a cena final de Magneto jogando xadrez no parque, lembrando muito uma situação similar, quando um Magneto desmemoriado é observado no parque por Xavier.

A morte de Fênix ao invés de fazer referência à morte da personagem numa das mais clássicas histórias dos X-Men, bem como ao recente arco Planeta X, lembra mais a morte de Mariko Yashida, grande amor de Wolverine, que a matou com suas garras para evitar que ela sofresse morrendo agonizando graças ao envenenamento que sofreu.

A situação da ex-heroína é uma mistura da Saga da Fênix original com o Universo Ultimate. Por um lado apresenta a dualidade presente na história original, antes que inventassem toda a confusão que resultou na volta de Jean Grey e reformulação da Fênix, sendo reapresentada como uma Entidade que tomou o lugar de Jean. Por outro, utiliza a supressão das habilidades totais da personagem pelo Professor Xavier, tal qual as histórias dos X-Men Ultimate.

:: A TRAMA E OS PODERES
X-Men: O Confronto Final não explora bem os poderes de todos os personagens, mas em outros explora de uma maneira perfeita, rendendo a ação e quantidade de efeitos especiais que deveriam fazer parte de qualquer adaptação de HQs de super-heróis. Os poderes mais bem usados são sem dúvida os de Fênix, Magneto e Tempestade.

Tempestade enfim voa, luta adequadamente e age como líder. Seu controle do clima já havia sido bem representado no filme anterior e continua sendo neste, onde o usa de forma mais ofensiva, contra múltiplos inimigos.

Os poderes de Magneto têm destaque em duas cenas: quando ataca o comboio que está levando Mística e outros prisioneiros e quando desloca a Golden Gate para chegar à Ilha de Alcatraz. Essa última cena ficará na memória, assim como sua fuga da prisão no filme anterior.

Já as habilidades de Jean Grey são mostradas com uma boa dose de sadismo, alcançando quase todo o potencial de seu poder. Sua atuação final é surpreendente, mas ficou faltando o “Efeito Fênix” quando ela usava seu poder com força total. A falta desse fator é mais estranha pelo fato de, no filme anterior, toda vez que a personagem dava lampejos do poder da Fênix, uma manifestação em pequena escala do efeito ser apresentada.

O enredo do filme une duas vertentes: a descoberta (e conseqüentes reações a isso) da cura mutante e a transformação da ressuscitada Jean Grey em Fênix. Ambas as tramas garantem um alto nível de ação bem conduzida pelo diretor Brett Ratner, contudo o caráter dramático de ambas progride de forma superficial.

A cura mutante foi o modo encontrado de provocar o confronto em larga escala entre a Irmandade, os X-Men e o governo humano. O fato da cura ter tido origem com o mutante Sanguessuga, cujos poderes realmente são o de anular as habilidades de outros mutantes, foi de uma lógica perfeita. Mas a reação dos mutantes a essa cura não foi aprofundada, sendo mostrada somente através do Anjo e Vampira, lembrando inclusive episódios do desenho animado da equipe na primeira metade dos anos 90. Mesmo com esses dois personagens o assunto não progride, pois ambos ficam sem destaque na trama, mesmo com Vampira aceitando a cura e perdendo seus poderes.

Já a situação da Fênix pende somente para o lado maligno da personagem, esse sim bem explorado com as “mortes” de Ciclope e Xavier e a aniquilação causada no final do filme. Mas ficou faltando uma demonstração maior de Jean Grey confrontando os atos de sua outra personalidade e até interagindo com seus ex-companheiros a acusando. E ainda fica a dúvida de porque ninguém pensou em usar a cura nela.

O ritmo de ação do filme, como disse antes, é muito bom, mas em alguns casos as cenas “calmas” não são. As conversas entre Bobby, Vampira e Kitty são enfadonhas, ao contrário das conversas de Wolverine com Xavier e Tempestade, cheias de diálogos bem conduzidos. O mesmo vale para a cena inicial entre Magneto, Xavier e Jean. Cenas como esta e todas as de Magneto que dizem respeito a Xavier, fazem deste o filme que melhor explorou as diferenças ideológicas dos dois antigos amigos, ao mesmo tempo em que reforçou a amizade entre eles, coisa que sem dúvida foi decidida para abrir caminho para o filme solo de Magneto. Até mesmo a cena do xadrez no final é um modo de retratar a amizade entre eles, com Magneto sentado sozinho olhando para o lugar que deveria ser de Charles.

A produção apresenta ainda sinais que comprovam a pressa na realização, resultado da dança das cadeiras na direção que fez com que houvesse um curto prazo para a conclusão do filme. Com isso a luta entre a Irmandade e os X-Men só deu destaque a alguns personagens e em alguns momentos parece até que os “piões” de Magneto nem mesmo tinham poderes, tal a facilidade com a qual eram derrotados, sem nem mesmo reagir. Uma falha tremenda é o anoitecer repentino na cena da ponte, que começa de dia e acaba numa noite que chega sem aviso, incluindo até os carros com faróis já acesos. É estranho também Scott só ganhar um túmulo no final do filme, junto de Jean. Ele deveria ter tido um funeral junto do Professor, tendo em vista que seus colegas já sabiam de sua morte neste momento.

Quem achava que a Fox tinha feito de tudo para este ser o filme final da equipe, se enganou. Realmente morrem vários personagens e outros perdem seus poderes, mas as duas pontas deixadas, extraordinárias em sua simplicidade, abrem caminho para novos filmes, levantando a hipótese da volta dos poderes anulados e revertendo a morte do Professor X (você lembrou de permanecer na sala depois dos créditos não é?). Além disso, a morte de Ciclope não é tão certa, afinal, além de não ser mostrada, nunca é confirmada com todas as letras pela Fênix.

Enfim, X-Men: O Confronto Final foi o melhor da trilogia e também um dos melhores “filmes pipocas” já feitos, ficando no topo quando a conversa são as melhores lutas numa adaptação de HQ, mas apresentou uma trama enfraquecida por não se aprofundar mais nos personagens, sofrendo outro revés na inserção de tantos rostos novos mal aproveitados.

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