MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
08/05/2006
COLUNA - AS RENEGADAS: AS HQS INÉDITAS NO BRASIL
 
 
Battle Pope
 
 
 
 
All-Star Superman
 
 
Página de All-Star Superman
 
 
Menz Insana
 
 
Madrox
 
 
 
 



As Renegadas
é a coluna do HQ Maniacs onde Artur Billy Batson mostra aos leitores quadrinhos que ainda estão inéditos (ou esquecidos) no Brasil.


:: Battle Pope
A fé cristã na atualidade está cada vez mais em baixa. João Paulo II, papa que faleceu no ano passado, transformou-se em um ícone midiático, um mediador entre as discussões entre conservadores e liberais, mas com poucas ou nenhuma decisão de peso em relação ao catolicismo.

Robert Kirkman é um escritor pop, que tem facilidade para escrever todos os tipos de revista. Agora, imagine ele em começo de carreira, quando ainda era desconhecido, criticando e satirizando o Papa. Foi dessa idéia que surgiu Battle Pope, série que recentemente voltou a ser lançada, agora colorida, pela Image.

A situação é a seguinte: Jesus é um hippie retardado, ou completamente lesado, Deus está cansado de tanta sujeira na Terra e o Inferno enxerga uma brecha para avançar. O Criador abandona seus filhos na mão de Lúcifer, mas mesmo assim coloca um santo no mundo para guerrear do lado dos bons: Saint Michael. E há o Papa, que desde que entrou para a Ordem, aprendeu artes marciais com Bruce Lee, é promíscuo, fuma charutos, xinga e nem mesmo tem fé.

Mas ele morre nas mãos de um demônio, e Deus lhe reserva uma missão: ajudar Saint Michael a salvar seus filhos. O Papa então ressuscita musculoso, e, colocando de modo educado, mais “bem dotado”.

A série é sim um completo escracho, cheia de xingamentos, blasfêmias e muitos tiros, muito sangue e pouca religiosidade. Kirkman no começo da carreira, e mesmo assim já mostrando que teria um lugar no mercado. Está provado que ele é um dos melhores escritores da atualidade. Fica no topo da lista dos meus preferidos, considerando de uns dez anos pra cá.


:: All-Star Superman
Pago minha língua agora e assumo que tenho que me redimir. Falei logo acima que Kirkman é o meu roteirista preferido da atualidade, mas juro que tinha esquecido de Grant Morrison. Ele merece, pelo menos, ficar ao lado do escritor de Invencível no primeiro lugar - um empate técnico.

Mas, como sou um bom visionário, estou aqui para comprovar o que eu havia dito na minha quarta coluna, e na minha anterior: All-Star Superman é muito melhor que All-Star Batman and Robin The Boy Wonder (sem contar que o nome é bem menor).

A dupla Morrison/Quitely está de volta. Não preciso nem dizer que isso é o suficiente para que qualquer revista fique ótima. Eles revitalizaram os X-Men, naquela foi uma das melhores fases dos mutantes em tempos; eles contaram a história de três animais desenvolvidos pelo governo em WE3, que foi uma das revistas mais divertidas do ano passado; e agora eles vão contar histórias da vida do grande símbolo da DC: o Superman.

Literalmente grande, Frank Quitely fez o Homem de Aço muito forte, quase sem pescoço, mas com um rosto realmente sereno. Nos desenhos o que mais me impressiona são os olhos dos personagens, e o fato de que eles algumas vezes parecem grandes gordinhos de plástico. Um último ponto a ser lembrado - o desenhista está cada vez mais inovador no design dos personagens.

Quanto à história, sem palavras. Tudo começa com nosso herói salvando alguns astronautas que estavam fazendo uma viagem ao Sol. O resto eu não vou contar, perderia a graça.

Morrison caracterizou seu Superman como muitos de nós cresceram acostumados. Clark está como sempre desastrado, amoroso, chegando no Planeta Diário nos momentos certos; quase atrasado. Já o herói está confiante, carismático, disposto a ajudar. E o melhor de tudo: as loucuras do escritor estão presentes.


:: Menz Insana
 “Um lugar onde o tempo não é mais dinheiro”. Menz Insana começa assim, explicando como chegar a esse lugar, a sua mente. Para o escritor Christopher Fowler a loucura é na verdade um portal para o éden mental, para um lugar sem regras fixas. E dependendo do grau da loucura, maior o desprendimento alcançado.

Sabe aquele papo de “Portas da Percepção”? Daquele escritor Aldous Huxley (o mesmo de "Admirável Mundo Novo"), que o Jim Morrison do The Doors tanto gostava? Pois é, estamos diante das tais Portas da Percepção. Menz e Jaz são os personagens principais dessa loucura quadrinistica, presos nesse plano mental por terem enlouquecido. Eles querem voltar ao plano material, e sabem onde o portal se encontra realmente, mas eles só podem estar lá por uma hora.

O engraçado é que realmente Jim Morrison é citado, e veja, quando eu escrevi a introdução deste texto, nem sabia disso. Estou certo - estamos diante das Portas da Mente!!!

O escritor gosta de brincar com a sociedade atual, taxando todos, de uma forma sutil, de loucos. É o velho ditado, “de médico e louco todo mundo tem um pouco”. Ele brinca com os alcoólatras, drogados, adolescentes, pessoas de todas as “tribos”, clubbers, roqueiros, gays, artistas e muitos outros. As histórias vistas realmente aconteceram, como a do garoto que cortou os cabos dos elevadores do Empire State Building ou Buddy Holly falecendo em uma queda de avião.

A arte faz parte desse contexto insano. Com um traço parecido com desenhos dos anos 50, John Bolton ainda usa a Pop Art para finalizar sua arte. Os fundos pretos caracterizam bem a loucura, o “poço sem fundo”. Os personagens parecem distorções dos comerciais da Coca-Cola da Era de Ouro do mundo, e os objetos e prédios guardam um pouco do expressionismo alemão.

Menz Insana critica a sociedade, a maneira como vivemos, e afirma com categoria, não há liberdade no mundo, a loucura é, portanto, o escape para aqueles que desejam se libertar. Pouca gente sabe, mas Menz Insana saiu por aqui numa edição especial do número 16 da revista Vertigo DC em 1999, da finada Atitude Publicações (Metal Pesado/Tudo em Quadrinhos). Não é uma Renegada, mas já foi publicada há mais de seis anos no Brasil e vale uma releitura. Ou para quem ainda não conhece, uma boa conferida.


:: Madrox
O selo Marvel Knights lançou uma das mini-séries mais legais dos últimos tempos e felizmente, ela já está sendo publicada no Brasil. Madrox, escrita por Peter David, durou cinco edições, mas fez tanto sucesso que após os eventos de Dinastia M, resolveram voltar com a equipe X-Factor. Vamos à história.

O grupo tático mutante do governo acabou há alguns anos, e desde então James Madrox, o Homem-Múltiplo, está perdido. Ele não sabe mais o que fazer, e rodou o mundo com suas diversas cópias aprendendo coisas. Mas ele voltou à Cidade Mutante, em Nova Iorque e abriu uma firma de investigações; nada melhor para alguém que pode estar em vários lugares diferentes.

Só que alguém tenta assassiná-lo enquanto ele se encontra com alguns ex-companheiros, Lupina e Fortão. Ele então parte em busca do assassino, e da mulher envolvida na trama. “Há sempre uma mulher nesses casos” - Lupina está certa - em toda boa história de detetive, há sempre uma mulher envolvida.

Peter David monta uma história repleta de clichês do estilo Noir, mas inova pelo fato de Jamie Madrox ser um detetive diferente, de múltiplas escolhas, digamos. Suas cópias foram muito bem trabalhadas, cada uma tendo uma personalidade distinta.

Apesar de estar aqui (essa coluna foi escrita muito antes do que você pensa), Madrox já está sendo publicado na revista Wolverine, pela Panini Comics. Vale a pena conferir!!

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