MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
07/03/2006
MATÉRIA: PODEROSA! - PARTE 2
 
 
Arion Lord of Atlantis #1
 
 
Warlord #121
 
 
Power Girl #1, mini-série em quatro partes
 
 
JLE #9 - Poderosa é operada pelo Super-Homem
 
 
Uniforme amarelo e branco - arte de Bart Sears
 
 
Uniforme azul e branco - arte de Ron Wilson
 
 
Poderosa e o Sovereign Seven - arte de Ron Lim
 
 
Poderosa e Supermoça - arte de Ian Churchill
 


Bem, aqui estamos novamente! Se vocês leram a primeira parte dessa série de artigos (caso não tenham lido, cliquem aqui), já devem saber que Poderosa foi criada em meados dos anos setenta pelo roteirista Gerry Conway. Essa simpática e geniosa personagem era a prima do Super-Homem da Terra-2 e durante um bom tempo ela integrou a Sociedade da Justiça da América, a principal equipe de heróis daquele mundo paralelo.

Poderosa participou com certo destaque em diversas histórias, porém, parafraseando o poeta, nós podemos dizer que havia uma Crise no meio do caminho e que no meio do caminho havia uma Crise. Tal Crise no caso é a fantástica mini-série Crise nas Infinitas Terras e depois que ela foi publicada nada mais foi como antes. Inclusive a vida da Poderosa. É sobre o que aconteceu com ela no pós-Crise e um pouquinho mais que iremos discorrer nessa segunda e última parte dessa série de textos sobre a Poderosa.

A continuidade do Universo DC sempre foi uma tremenda de uma bagunça, e qualquer leitor novato que começasse a acompanhar as aventuras do Super-Homem e cia. ficava confuso com aquela quantidade absurda de Terras paralelas com centenas de personagens diferentes. Para acabar de vez com essa confusão foi publicada em 1985 a série fechada Crise nas Infinitas Terras, e a sua principal conseqüência foi o fim do conceito das “múltiplas Terras”, ou seja: a Terra-1, a Terra-2 e tantas outras retroativamente deixaram de existir, em prol da existência de uma única Terra que unificaria toda a cronologia do Universo DC, e nesse processo os editores definiram que a Sociedade da Justiça sempre coexistiu no mesmo mundo que a Liga da Justiça.

Porém, para a “faxina” ficar completa foi simplificada também a cronologia do Super-Homem, sendo definido que Kal-El era o único sobrevivente do planeta Krypton e que ele iniciou sua carreira heróica a menos de vinte anos atrás. Super-Homem da Terra-2, Superboy, Krypto, Legião de Super-Animais e até mesmo a Supermoça — que morreu na edição #7 de Crise — deixaram de existir. Porém, misteriosamente Poderosa sobreviveu ao fim do Multiverso DC!

Mas como ela sobreviveu, se até mesmo a Caçadora, sua melhor amiga, foi eliminada da cronologia? Segundo o editor Robert Greenberger, Poderosa sobreviveu devido a sua grande popularidade e principalmente devido à insistência de Gerry Conway, que afirmou aos editores ter condições de dar uma boa explicação para a existência da personagem no universo pós-Crise. Infelizmente outros compromissos profissionais impediram que Conway desempenhasse essa tarefa, que acabou ficando a cargo de Paul Kupperberger.

Em meados dos anos oitenta, Kupperberger já era um veterano na indústria dos comics americanos, e tinha publicado diversos trabalhos tanto na Marvel quanto na DC. Em 1982 a DC lançou no gibi Warlord #55 uma criação de Kupperberger, batizada com o nome de Arion, Lorde da Atlântida. As aventuras desse personagem se passam aproximadamente há 45.000 anos no passado — em plena Era Glacial — onde a existência da mítica Atlântida é ameaçada pelo constante avanço das geleiras, e contra esse perigo a cidade conta com a ajuda de Arion, que é o mais poderoso mago dessa época.

Entretanto, como somente enfrentar geleiras não é o suficiente para dar dinamismo a um gibi, Arion também encarava adversários como o Urdidor Negro, Majestra Negra e seu maligno meio-irmão Darn Gaanuth, que acabou sendo exilado em uma distante dimensão pelo feiticeiro. O personagem caiu nas graças dos leitores e chegou a ganhar um gibi próprio que foi publicado até a edição #35, edição essa que por sinal mostrou a destruição da Atlântida. Pois é, com certeza vocês devem estar se perguntando por que diabos estamos falando desse obscuro personagem. Ora, estamos falando dele porque Arion tem tudo a ver com a origem pós-Crise da Poderosa! Como? Por favor, pedimos licença para explicar...

Logo após o término de Crise a DC lançou o gibi Secret Origins (Origens Secretas), com o objetivo de criar novas origens para o seu elenco de personagens no Universo DC pós-Crise. Em 1987, na edição #11 dessa série mensal (no Brasil em DC Especial #08, 1991, Ed. Abril) finalmente Paul Kupperberger e a artista Mary Wilshire explicaram a nova origem da Poderosa: Anos atrás Kara chegou na Terra através da Simbionave, e possuía vagas memórias que indicavam que sua origem provavelmente era kryptoniana. Um belo dia, frustrada por não ter certeza de onde tinha vindo ela se dirigiu rumo a Simbionave, e quando deu um soco na nave acidentalmente acionou um dispositivo secreto na mesma, dispositivo esse que guardava uma mensagem. De quem vocês acham que era a tal mensagem?

Bom, quem falou Arion acertou na mosca! Na mensagem Arion explicava que, apesar da Atlântida ter sido destruída, várias colônias da lendária cidade sobreviveram. Tais colônias abdicaram da magia em prol da ciência, e uma das áreas cientificas em que os atlantes sobreviventes mais se destacaram foi o aperfeiçoamento genético. Ora, como a magia estava “fora de moda”, Arion resolveu se aposentar e constituir família, e com o tempo ele acabou ganhando uma bela netinha chamada Kara, que nasceu com todas as melhorias genéticas desenvolvidas pelos atlantes.

Porém, para estragar de vez a aposentadoria de Arion o seu meio-irmão Garn Daanuth voltou a dar as caras, possuindo o corpo da recém-nascida Kara. Arion conseguiu expulsar Daanuth, porém para evitar que o corpo de sua neta fosse novamente possuído pelo vilão ele a colocou em um receptáculo (a tal da Simbionave), onde ela ficou em animação suspensa por milhares de anos e cresceu até atingir a idade próxima de dezoito anos. Para completar o serviço, Arion também implantou algumas memórias falsas na mente de Kara, para que quando ela despertasse não viesse a lamentar o destino final da Atlântida. Após receber essa mensagem Kara finalmente descobriu a sua origem e a partir daquele momento passou a usar no cinto o símbolo de Arion.

Com o passar dos anos outros escritores acrescentaram pequenos detalhes a origem da personagem: a Simbionave foi encontrada pelo Super-Homem, e devido à similaridade de poderes entre ambos o Homem de Aço aventou a possibilidade de Kara ser uma sobrevivente de Krypton. Entretanto testes de DNA comprovaram que a Poderosa não era kryptoniana, mas isso não era razão o suficiente para a moça ser abandonada à própria sorte, muito pelo contrário! No final de tudo o Super-Homem acabou pedindo para a Sociedade da Justiça tomar conta dela, e foram os “velhinhos” da antiga super-equipe que acabaram criando para Kara a identidade civil de Karen Starr.

Pois é, descobrimos que Kara possuía ascendência atlante, e como a Sociedade da Justiça estava presa no Limbo enfrentando o Ragnarok (vide o gibi especial Last Days of the Justice Society, publicado em 1986 nos EUA e inédito no Brasil) cabia a nossa heroína buscar novos rumos para a sua vida. Ora, dito isso nada era mais natural do que ela procurar suas raízes, o que a levou até a região pré-histórica escondida no centro da Terra conhecida como Skartaris, onde ainda existiam diversas das antigas colônias atlantes. Lá, ela viveu diversas aventuras ao lado do herói conhecido como Guerreiro entre as edições #116 e #124 da revista Warlord, porém vamos falar a verdade: para uma personagem com poderes próximos do nível do Super-Homem, viver aventuras em uma terra pré-histórica era um tremendo desperdício!

Não demorou muito para os editores se tocarem que o melhor lugar para a nossa heroína era a “civilização” e o resultado disso é que em 1988 Poderosa estrelou uma mini-série em quatro partes escrita por Kupperberg e desenhada por Rick Hoberg (no Brasil em DC Especial #8, 1991, Ed. Abril) onde víamos que mesmo entre trancos e barrancos Kara conseguia conciliar a vida de super-heroína com suas obrigações como dirigente da firma de desenvolvimento de software chamada Starrware. 

Só que um velho inimigo de Arion chamado Urdidor Negro resolveu descontar em Poderosa milhares de anos de raiva acumulada contra o seu avô. Daí a mini-série se desenvolve com Kara tendo que enfrentar as ameaças enviadas contra ela pelo Urdidor, até que finalmente ela consegue derrotar o vilão. Essa série fechada tinha a proposta de situar Poderosa em definitivo no Universo DC, só que digamos que nos quesitos roteiro e arte ela deixava um tanto a desejar. Mas a mocinha não teria do que reclamar, porque um pouquinho mais pra frente ela ganhou uma nova chance de aparecer.

No final dos anos oitenta o titulo da DC que mais vendia era Justice League International (Liga da Justiça Internacional), e com certeza tal sucesso era decorrência da fantástica combinação de heroísmo com humor escrachado que Keith Giffen e J.M. de Matteis colocavam nos roteiros. Ora, quando um gibi faz muito sucesso, o que é que uma editora em quadrinhos faz? Lança uma outra revista no mesmo estilo, ora pois! E foi isso que aconteceu em 1989, quando a Justice League International virou Justice League America e a DC botou na praça o gibi Justice League Europe (Liga da Justiça Europa, que estreou no Brasil em Super Powers #20, 1991, Ed. Abril).

Entre os membros da nova equipe estava a nossa amada heroína, e como vocês já devem imaginar, o gênio difícil dela rendeu ótimas “gags”, que envolviam desde discussões com seus colegas até dietas para perder peso! Mas nem tudo foram piadas para Poderosa. Na edição #08 de Justice League Europe (no Brasil em Liga da Justiça #33, 1991, Ed. Abril) a super-equipe enfrentava o vilão chamado Homem-Cinza e uma horda de vampiros, e Kara saiu gravemente ferida desse embate, chegando até mesmo a ficar em estado de coma. Devido a sua invulnerabilidade, Kara só pôde ser operada graças ao uso da visão de calor do Super-Homem, que praticamente executou o procedimento cirúrgico na heroína (no Brasil em Liga da Justiça #34, 1991, Ed. Abril).

Poderosa sobreviveu à operação, só que ocorreram efeitos colaterais indesejados: seu nível de força física caiu bastante, e até mesmo a sua capacidade de vôo foi reduzida. Para “comemorar” essa nova etapa da sua vida, Poderosa resolveu trocar de uniforme, passando a vestir um macacão amarelo e branco, que com certeza não era o traje mais elegante ou sexy do mundo! Todavia, sigamos em frente...

Nas edições seguintes de Justice League Europe, Poderosa continuou participando da equipe e arrumando confusão, seja com os adversários ou com os colegas. E, para amansar o coração da “fera”, só mesmo outra, no caso um simpático gato vira-lata alaranjado que deu as caras em JLA #37 (no Brasil em Liga da Justiça #38, 1992, Ed. Abril) e desde aquela época até hoje é a mascote da heroína. Mas, vocês sabem como é que é: toda fórmula tem um prazo de validade, e a mistura de super-heróis com humor começou a se esgotar. Em conseqüência disso a dupla Giffen/De Matteis largou os títulos das Ligas da Justiça, Gerard Jones (que já colaborava fazia um bom tempo nos roteiros das duas equipes) passou a escrever as aventuras da Liga Europa, esses gibis começaram a adotar um tom mais “sério” e novas mudanças ocorreram com Poderosa.

A principal é que em 1992 no gibi JLE #37 (no Brasil em Liga da Justiça e Batman #05, 1994, Ed. Abril) a personagem passou a usar um uniforme azul e branco com um decote nos seios em forma de losango que, cá entre nós: era um horror! Aliás, nessa mesma edição foi explicada a razão do eterno mau-humor de Kara: a mocinha era viciada em refrigerantes dietéticos, e esse tipo de bebida causava uma reação alérgica em seu organismo meta-humano, que sempre a fazia acordar de pé esquerdo. Só que, alergia e mau-humor à parte, a nossa heroína ainda tinha que combater o mal, e em JLE #42 (no Brasil em Liga da Justiça e Batman #6 e 7, 1995, Ed. Abril) Kara, o restante da Liga Europa e a Mulher-Maravilha encararam Equidna, uma criatura da mitologia grega que seria a mãe de todos os monstros e que também seria uma representação do poder e da fúria de todas as mulheres do mundo.

Como tal conflito entrou em um impasse, Kara acabou fazendo um acordo com Equidna: uma vez por ano ela iria aos domínios subterrâneos da criatura e lá tomaria lições sobre o poder feminino que deveriam ser levadas para todas as mulheres do mundo. Não sabemos se Poderosa cumpriu ou não sua promessa, mas sabemos que no final de 1992 Kara teria uma grande surpresa: o seu avô estava vivinho da silva e morando em Nova Iorque!

Na mini-série em seis partes Arion the Immortal, Paul Kupperberg e o desenhista Ron Wilson explicaram que mesmo com a magia atlante deixando o plano terrestre ainda havia sobrado energia mística o suficiente para garantir centenas de séculos de vida para Arion. Uma volta repentina dessa tal magia atlante a Terra obrigou o mago a sair da sua aposentadoria, e é óbvio que no final das contas ele acabou se reencontrando sua neta. E a desculpa que Arion deu para nunca ter ido procurá-la é que, caso ele visse Kara antigas lembranças de sua vida na Atlântida voltariam e seu coração ficaria despedaçado. Que meigo vocês não acham?

Tempos depois Poderosa descobriu que por trás dessa “desculpa” havia razões muito mais sérias e importantes, já que sua vida passou por uma reviravolta completamente inesperada: de repente, não mais que de repente em JLI #52 (a partir da edição #51 o gibi Justice League Europe passou a se chamar Justice League International) Kara se descobriu grávida! Os primeiros “suspeitos” de serem o pai do bebê foram o Lanterna Verde Hal Jordan e Aquaman, já que em histórias anteriores Poderosa havia flertado com ambos, só que eles não tinham nada a ver com o assunto. Afinal de contas, nem mesmo Kara sabia quem era o pai! Mas, de um jeito ou de outro, como ela não estava disposta a fazer aborto, o bebê acabou nascendo em 1994, bem no meio do crossover Zero Hora (publicada no Brasil entre agosto e outubro de 1996, pela Editora Abril).

Kara até que se revelou uma mamãe amorosa, só que o mistério de quem era o pai dessa criança ainda persistia. Em JLA #94 finalmente foi revelado o segredo da “imaculada concepção” de Poderosa: uma antiga profecia atlante dizia que o bisneto de Arion seria o responsável pela derrota de um maligno demônio chamado Scarabus. O feiticeiro resolveu dar uma “forcinha” para que tal profecia se cumprisse, e implantou na recém-nascida Kara um fragmento de Scarabus, fragmento esse que geraria uma criança que combinaria os poderes das Trevas e da Luz caso o mundo viesse a ser ameaçado pelo demônio.

Nas edições seguintes, o menino teve um crescimento acelerado e passou a adotar o nome de Equinox e mais especificamente em JLA #107 e 108 ocorreu a batalha derradeira entre Scarabus e o garoto. É claro que como sempre os mocinhos venceram, só que após o término da luta Equinox abandonou a sua mãe e se foi para outros planos de existência, deixando Kara desconsolada e em estado de depressão. Ela só saiu dessa “deprê” em JLA #113, quando uma ameaça alienígena aparentemente fez com que todo o antigo potencial de poder dela retornasse. A reativação dos poderes de Kara foi suficiente para salvar seus colegas, entretanto não foi o bastante para salvar a revista Justice League of America do “facão”, já que ela foi cancelada e posteriormente passou por uma reformulação comandada por Grant Morrison. Daí para frente, outros gibis tiveram a honra de contar com a participação de Poderosa.

Em 1995, a DC resolveu bancar um projeto autoral do escritor Chris Claremont chamado Sovereign Seven, que basicamente contava as desventuras de um bando de alienígenas do planeta Meridian exilados na Terra. A partir da edição #25 Claremont decidiu incluir Poderosa (agora com seu uniforme original) na equipe, e para incrementar as histórias ele definiu que durante um determinado período Kara estava possuída pelo espírito de Nike, a deusa grega da vitória (não a marca de tênis!). Só que pelo que se viu a saga dos meridianos na Terra não foi muito do agrado dos fãs americanos, já que o gibi foi cancelado na edição #36.

Aliás, o final de Sovereign Seven foi um tanto quanto sui generis: foi descoberto que no final todas as aventuras dessa equipe na verdade eram fruto da imaginação de uma escritora! Por essa razão a participação de Poderosa nesse grupo praticamente é desconsiderada para efeitos de continuidade. O que não é desconsiderado são as encrencas em que Poderosa se meteu junto com Barbara Gordon e Canário Negro em Birds of Prey #12-17 (as edições #15-17 foram publicadas no Brasil em Batman Premium #15, 2001, Ed. Abril) e #33-35, respectivamente nos anos de 2000 e 2001.

Apesar de todas essas participações, Kara não chegou a virar personagem fixa da revista, já que tal “cargo” acabou sendo ocupado pela nova Caçadora, agora reintroduzida no Universo DC não mais como a filha de Bruce Wayne, e sim como a filha de um mafioso morto com colegas de crime. Mas quem disse que ela ficaria sozinha e desacompanhada? Há um ditado que diz que “o bom filho a casa torna”, e de fato tal escrita se cumpriu em 2002, quando na revista JSA #31 (No Brasil Liga da Justiça #15, 2004, Panini) o roteirista Geoff Johns integrou Poderosa a sua nova versão da Sociedade da Justiça, versão essa que agregava antigos e novos heróis. Só que sua vida seria revirada de cabeça para baixo de novo... Durante a saga publicada em JSA #45-50 denominada “Príncipes das Trevas” (Liga da Justiça #27-30, 2004, Panini) a nossa heroína descobriu que o vilão Mordru havia aprisionado a alma do seu avô Arion em um reino místico conhecido como Mundo das Jóias.

Dirigindo-se para lá, Kara libertou o espírito do feiticeiro e escutou dele mais uma revelação bombástica: na verdade Kara nunca foi sua neta! O mago atlante havia dito para Poderosa que era seu avô apenas para protegê-la, e também como um favor para a verdadeira mãe da moça, a quem caberia no futuro revelar toda a verdade. Só que a Poderosa já estava tão “escaldada” com essas reviravoltas que praticamente nem deu bola pra mais essa.

Poderosa continuou vivendo aventuras junto com a Sociedade da Justiça, quando em 2004 uma surpresa surpreendente surpreendeu todos os heróis da DC Comics: o Super-Homem tinha uma prima, que tal qual o Homem de Aço era originária de Krypton. Não tardou para que a simpática mocinha também chamada Kara assumisse a identidade de Supermoça, e naturalmente ela e Poderosa acabaram se encontrando. Porém, antes de contarmos esse encontro, um pequeno aparte: antes dessa Supermoça já havia existido no Universo DC pós-Crise uma outra heroína com o mesmo nome, que era uma criatura de protomatéria de uma dimensão paralela fundida com a estudante Linda Danvers.

Poderosa chegou a lutar ao lado dela nos gibis Supergirl #15 e 16 em 1997, só que anos depois o gibi dessa personagem foi cancelado e ela sumiu do mapa. Agora, voltando ao assunto principal: Poderosa ficou frente a frente com a Supermoça de Krypton no gibi Supergirl #01, e quando elas se cumprimentaram todos os poderes de Poderosa entraram em pane: uma hora ela emitia raios óticos e na outra ficava tão fraca quanto uma mulher comum.

Todas essas oscilações nos níveis de poder de Poderosa suscitaram novas dúvidas sobre sua origem, e Geoff Johns e a artista Amanda Conner prometeram finalmente revelar todos os segredos da geniosa moça em uma mini-série em quatro partes que foi publicada na nova revista mensal JSA Classified. E, após essa mini-série Poderosa foi escalada para participar da nova mega-saga da DC Comics chamada Infinite Crisis, onde os editores prometem que ela terá participação-chave em eventos que mudarão para sempre a face do Universo DC.

Muito tempo se passou desde que o escritor Gerry Conway teve uma filha batizada com o nome de Cara e mais tempo ainda se passou desde que o arte-finalista Wally Wood aumentava propositadamente os seios de Poderosa a cada edição de All Star Comics. Nesses dois artigos nós falamos muito sobre o passado, mas o que realmente importa é o futuro, e esperamos que após Infinite Crisis Poderosa encontre de vez o seu lugar entre o panteão dos grandes heróis da DC, mesmo porque heroínas de peito (nos dois sentidos!) são mais do que necessárias nos comics! Agradecemos a paciência que vocês tiveram para ler esses artigos e valeu!


P.S.: A produção desses dois artigos sobre a Poderosa não seria possível sem a ajuda de pessoas que sabem tudo e um pouco mais sobre quadrinhos, e no caso tais pessoas são o fã e colecionador Jesus Nabor Ferreira e os colegas do grupo de discussão na Internet ApenasEbal, Heitor Pitombo e Lenimar Nunes de Andrade. Obrigado!



Brodie Bruce, também conhecido como Claudio Roberto Basilio

 
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JSA Classified #1 - A origem definitiva
Detalhe de Infinite Crisis #2 - arte de Jim Lee
 


 

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