MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
03/03/2005
MATÉRIA: KURT BUSIEK É UM CARA LEGAL!
 
 
Marvels
 
 
Amazing Fantasy #16
 
 
JLA/Avengers
 
 
Arrowsmith
 
 
Astro City
 
 
Astro City
 
 
Astro City: Confession
 
 
Avengers (Vingadores), de Busiek e Pérez
 
A primeira história de Kurt Busiek publicada no Brasil é um back-up de alguma edição de “Green Lantern”, quando Hal Jordan ainda vivo estava no exílio e a Abril pulou algumas histórias. Sobrou um espaço de seis páginas e a editora-tradutora colocou essa história. Poucas pessoas viram, poucas pessoas se lembram. Busiek, no Brasil, surgiu com “Marvels”, a bela série que conta a história das maravilhas vistas pelo único olho de um fotógrafo freelancer. Certamente é sua obra mais conhecida por aqui e que também apresentou ao público brasileiro o pintor Alex Ross, que ficou conhecido por usar referências fotográficas e detalhismos em suas pinturas. Ross, nestes dez anos que passaram após “Marvels” não caiu na tentação do experimentalismo de companheiros como Jon J. Muth ou Kent Williams. Pelo contrário, tornou-se uma figurinha fácil na mídia e um super-astro, fazendo capas, conceitos de personagens e álbuns chatos para a DC Comics, apesar de também ter feito a excepcional “Kingdom Come” (O Reino do Amanhã) junto com Mark Waid. O sucesso de Ross, talvez tenha ocultado o verdadeiro pensador por trás de “Marvels”, que é na verdade, Busiek. Busiek faria em seguida o roteiro de duas séries pintadas para a Marvel, uma a “Tales of Astonishing” e outra a “Tales of Suspense”, mas seu talento começou a ser reconhecido quando assumiu “Amazing Fantasy # 16-18” (Homem-Aranha: Ano Um) para contar os primeiros momentos de Peter Parker como Aranha. A mini-série chamou atenção e logo Busiek tinha uma revista barata (US $ 0,99) para continuar suas aventuras: “The Untold Tales of Spider-Man” (por aqui “Os Arquivos Secretos do Homem-Aranha”), que insere novos fatos na continuidade do aracnídeo de forma retroativa e respeitando os conceitos apresentados por Stan Lee & Steve Ditko. A série talvez tenha chamado ainda mais a atenção por que neste período, o Aranha estava envolvido em longa e penosa saga maldita para muitos. A “Saga do Clone” tornou um título de Peter Parker ainda adolescente e com a tia May superprotetora, a melhor pedida para o personagem. Já com a fama bastante solidificada, o autor cria uma das melhores séries em quadrinhos sobre o mito dos super-heróis, a “Kurt Busiek’s Astro City”, que foi publicada pelo selo Homage, do selo Wildstorm da Image Comics. A série limitada, com desenhos de Brent Anderson (X-Men: Deus Ama, o Homen Mata), e capa e design de personagens de Alex Ross, apresenta um mundo onde os arquétipos são revisitados e criam-se seres mais interessantes. Os arquétipos são em linguagem simples “as definições dos personagens”; “as padronizações dos personagens”. Por exemplo, qual o arquétipo do “vingador noturno em sua luta contra o crime?” Responderemos Batman, por que é o conceito que mais se assemelha. Qual o arquétipo do “homem do amanhã, vindo de outro lugar, que irá levar a humanidade para algo melhor?” Superman é uma boa resposta. Então, Busiek cria uma leva de personagens baseados nos arquétipos – e não nos personagens das concorrentes. Por causa da visão de idolatria dos personagens, que ressaltam ainda o aspecto humano, sua série autoral foi aclamada como obra-prima. Há em cada edição aquele fascínio (hoje perdido) do ser humano comum em relação aos super-heróis e vigilantes que existiria se realmente eles existissem em um mundo positivista. Assim, cada edição do 1º volume (seis edições no total, já publicadas por aqui em mini-série da Pandora Books) é narrada por um personagem que pode ser o Samaritan (um ser humano do futuro, que viajou no tempo para corrigir o cataclismo nuclear e conseguiu, e também durante a viagem ganhou poderes), um ladrão pequeno que descobre a identidade de um vigilante brincalhão (“vigilante brincalhão” também é arquétipo, ok?) ou ainda uma visão da natureza humana por um alienígena. Note que a simples presença do Samaritan realmente alterou a realidade em que existem os personagens, fugindo do mesmismo dos concorrentes, que nada realmente fazem que altere a sua realidade. Em cada edição explodiam dezenas de personagens que compunham o universo de “Astro City” como a “família de heróis”, os alterados geneticamente e perseguidos, ou a elite dos heróis daquele universo. Quando terminou o primeiro volume (na verdade uma série limitada), logo Busiek e sua equipe retornaram para uma série mensal que foi publicada primeiro pela Homage-Wildstorm na Image, e em seguida pela Homage-Wildstorm na DC Comics, quando Jim Lee vendeu sua editora para a mega-corporação AOL-Time-Warner. Ao contrário de outras séries que se mostraram mais interessantes em suas séries limitadas iniciais, “Kurt Busiek’s Astro City” continuou a impressionar, e um dos pontos altos é a saga “Confession”. Nesta, o “arquétipo do vigilante noturno” (Confessor) ganha um sidekick (Altar Boy), enquanto o prefeito de Astro City, preocupado com os crimes que estão acontecendo em Shadow Hills (um bairro onde a noite os seres místicos retornam à Terra e que vive à sombra do Monte Kirby), contrata super-seres cibernéticamente melhorados (uma alusão ao momento do mercado, certamente). Na verdade há segredos que vão sendo relevados e que ao virem à tona tornam a saga, um dos melhores momentos da série. Infelizmente Busiek ficou doente e tinha que “pagar o aluguel”. Como o material de “Astro City” é muito grande e necessitava de pesquisas profundas o autor interrompeu a publicação em 1998-99, depois de sucessivos atrasos no número 22, retornando recentemente com “Astro City: Local Heroes” e alguns especiais. Neste período, Busiek assumiu duas séries da Marvel para “retornar” os heróis às origens: “Iron Man” – 3º volume e “The Avengers” – 3º volume. Seu Homem de Ferro é bom e tenta resgatar um pouco daquele visual de espionagem industrial. A arte de Sean Chen ajuda, mas talvez seja o personagem que tenha se limitado. Tanto que até hoje, na era “Avengers Disassemble”, o personagem tem constantes mudanças para se adequar, ficando à margem. Mas o verdadeiramente impressionante foi a parceria com George Pérez em “The Avengers”. Primeiro, não há nada de revolucionário, apenas há boas histórias de super-heróis com a arte de George Pérez. Segundo, é que Busiek não se preocupa em construir uma mitologia própria, um padrão muito comum em escritores chamados para corrigir falhas. Ele simplesmente se aproveita da mitologia que a série já tinha e tudo funciona muito bem. Muitos críticos, no entanto, acreditaram que Busiek se tornou muito detalhado na consulta deste passado mitológico, em especial nas séries “Avengers Forever”, com arte de Carlos Pacheco e ajuda de Roger Stern nos roteiros, e na gigantesca saga “A Dinastia Kang”, que começa logo após a saída de George Pérez do título, quando foi substituído por Alan Davis, e este foi substituído em seguida por Kieron Dwyer, e vai até o final de Busiek na série (The Avengers v3 # 41-56, Marvel 2003 # 01-12, Marvel 2004 Especial, Os Poderosos Vingadores # 01-05, Panini Comics). Em “Avengers Forever”, uma mini-série em doze partes, sete Vingadores de momentos temporais diferentes são convocados para auxiliarem Rick Jones, e então há o palco para uma excepcional história, inclusive corrigindo alguns pontos obscuros da história do Visão. Em “A Dinastia Kang”, o conquistador do futuro invade a Terra em uma longa saga que dura quase um ano e meio! Veja que Busiek não necessitou que outros títulos da editora se tornassem parte de um pretenso crossover. Não precisou do Wolverine, nem do Aranha para vender mais; apenas contou as histórias que tinha que contar. Existem outros personagens que Busiek fez para a Marvel. “Thunderbolts” começou em uma premissa batida de equipe de vilões que se disfarçava de heróis e funcionava bem. Eram os “primos pobres” dos Vingadores, mas enquanto tinham a arte de Mark Bagley (Ultimate Spider-Man, New Warrios, The Amazing Spider-Man – 1º volume) mostravam ser interessantes. A Panini, quando assumiu a Marvel no Brasil, decidiu não continuar a saga da equipe, que foi cancelada tempos depois nos EUA. O autor também trabalhou em “Defenders” ao lado de Erik Larsen (Savage Dragon), mas a série teve curta duração, assim como seu projeto “Power Company” para a DC Comics, logo depois que ele saiu dos Vingadores. Power Company certamente deve ter gerado um desgaste maior, já que foi apresentando como um dos grandes projetos da DC Comics para 2001 e não teve o retorno esperado. Neste meio tempo Kusiek uniu-se novamente a George Pérez para fazer o crossover inter-editorial definitivo: JLA/Avengers, que traz uma trama onde homenageia o conceito do crossover entre equipes, respeita a sutileza de todos os personagens envolvidos e o universo original de cada equipe. Isto sem contar a deliciosa edição em que os universos são fundidos – bem previsível em termos de encontros, mas feito de maneira sagaz por Kusiek. Depois do (evidente) sucesso de JLA/Avengers, Kurt deu um tempo nos quadrinhos mainstream. Durante o desenvolvimento da arte de JLA/Avengers, ele publicou pela Homage-Wildstorm a série autoral Arrowsmith (anteriormente prometida pela Mythos, e agora deverá sair pela Devir), com arte de Carlos Pacheco, que se passa em uma dimensão onde os homens ainda vivem com os dragões (que voam e lançam bolas de fogo). Neste palco, eclode a 1ª Grande Guerra Mundial. Além dos lançamentos das séries de “Astro City” (Astro City: Local Heroes, Arrowsmith/Astro City, Astro City Special e Astro City: Dark Age), o autor foi contratado pela DC Comics para dar continuidade à trama apresentada em “JLA/Avengers” porém nas páginas de “JLA”, na saga “Syndicate Rules”, que traz novamente à tona a Terra 2 (a versão de Grant Morrison do antigo conceito da Terra 3, pré-Crise nas Infinitas Terras), que começou a ser publicada em outubro-novembro de 2004. Posto isto, acredito que Busiek é um sujeito legal que sabe construir histórias sobre mitos que evocam o que há de melhor na fantasia dos quadrinhos. jamersontiossi@yahoo.com.br
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