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15/09/2003
REVIEW - CINEMA: A LIGA EXTRAORDINÁRIA
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Dos livros para os quadrinhos. Dos quadrinhos para os cinemas. No primeiro caso, personagens que sofrem só algumas modificações. No segundo, a coisa já muda... A Liga Extraordinária, considerada por muitos a última grande história publicada por aqui, ganhou seu filme que estreou agora no Brasil. Como de hábito, os fãs dos quadrinhos logo de cara se preocuparam com as mudanças. Mas, ao contrário da maioria das vezes (ao menos recentemente), a preocupação teve fundamento. O filme apresenta uma história muito diferente da dos quadrinhos e também personagens diferentes. Para começar, o Homem Invisível é outro, um criminoso chamado Skinner, que roubou a fórmula da invisibilidade original. Campion Bond não dá as caras, provavelmente por causa de problemas com direitos autorais, que motivaram a mudança no Homem Invisível também. Os produtores, receosos pelo filme ter somente personagens ingleses, decidiram incluir o americano Agente Swayer (Tom Swayer). Também incluiram Dorian Gray como atrativo ao público feminino, inclusive ignorando sua natureza bissexual para isso. Swayer foi realmente desnecessário. Seu personagem parece um moleque idiota olhando as pessoas extraordinárias à sua volta e ainda por cima tendo um amor bobo por Mina Murray. Sua relação com Alan Quartemain também é muito superficial, não acrescentando nada. Dorian Gray, por sua vez, foi uma ótima surpresa. Em muitos momentos ele rouba a cena, com seu jeito cínico inigualável, sempre atacando com ofensas seus companheiros. É o melhor personagem do filme. Alan Quartemain, graças ao ator Sean Connery, acaba se tornando o líder da equipe, algo que não ocorre nos quadrinhos. Mas as mudanças não param por aí. No filme, ele não é um viciado em ópio, mas mesmo assim está revoltado com o Império por conta da morte de seus familiares. Mesmo com as mudanças, Connery interpreta bem o personagem, que consegue ser cativante, mesmo sendo tão diferente do que o dos quadrinhos. Mina então virou uma vampira que não faz muita questão de esconder sua situação, além de ter se tornado cientista. Entretanto, Peta Wilson conseguiu dar um ar de mulher fatal que teria ajudado muito, se não fosse deixado de lado em alguns momentos, como por exemplo no caso de sua paixão boba por Dorian. O Capitão Nemo foi provavelmente o mais fiel aos quadrinhos. Seu bom relacionamento com Quartemain foi bem explorado e sua ciência foi usada até demais, chegando ao extremo de um “Nemomóvel”. Ele ainda ganhou habilidades em artes marciais e esgrima. O Nautilus tem um visual muito diferente do dos quadrinhos, se aproximando mais de um submarino real. O seu interior é que ficou estranho, parecendo um palácio. A dupla personalidade de Jekyl e Hyde foi um ponto forte no filme. Eles conversam o tempo todo, com Hyde tentando convencer Jekyl a liberta-lo e com Jekyl amaldiçoando-o por isso. Ao contrário dos quadrinhos, onde a transformação já acontecia sem a necessidade do soro, aqui o soro foi mantido. A cena do “recrutamento” de Hyde foi bem similar à dos quadrinhos, até mesmo as vestes do gigante eram idênticas. M foi muito mudado, com uma motivação fraca e perdendo todos os atrativos, o que torna o filme em si fraco. Afinal, se a ameaça enfrentada é furada, o filme todo acaba o sendo. Assim, a trama é fraca e os efeitos especiais também. Tudo acontece rápido demais. M controla a Liga muito mais facilmente do que nos quadrinhos e também é pego de modo mais fácil, chegando perto do ridículo. Os efeitos são pobres. Explosões sem onda de choque, o desmoronamento de Veneza onde não se vê feridos e até a transformação de Hyde, que é feita com cortes de cenas provavelmente para cortar gastos.
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