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01/08/2014
REVIEW - HQ: HOMEM DE FERRO - EXTREMIS
 
 
Homem de Ferro - Extremis
 
 
 
 
 
 
 
 


O Homem de Ferro, apesar de ter uma imagem bastante popular por conta de sua armadura robótica vermelha e dourada, nunca foi lá muito popular entre o grande público. Também pudera... O cara é um playboy alcoólatra multimilionário extremamente ególatra que xaveca praticamente qualquer ser do sexo feminino que passa em sua frente. Ou seja, não é lá o personagem mais carismático do mundo e tem, digamos, severas restrições de público. Não é toda mulher que vai gostar de um personagem que se acha a última bolacha do pacote, tampouco um sujeito assim vai agradar às crianças, que preferem heróis mais convencionais, mas certinhos, mais... heroicos!

Mas Tony Stark tem um trunfo: a armadura brilhante e ultradescolada! E ela fica ainda mais atraente e reluzente nas telas do cinema. Os produtores contaram com isso ao decidirem lançar o filme do Homem de Ferro, e acertaram na mosca. Deram uma atenuada na bebedeira do Stark, amenizaram o seu lado cafajeste ao investir num par romântico e o transformaram num galã que sempre tem uma piadinha sagaz na ponta da língua. Pronto! Agora eles tinham o personagem adequado para as massas. Só que poucos sabem que esse Homem de Ferro mais polido do primeiro filme foi inspirado em uma HQ muito importante para a cronologia do herói.

Pra começo de conversa, o roteirista responsável por Homem de Ferro: Extremis é ninguém menos que Warren Ellis, roteirista britânico talentoso como seus conterrâneos Neil Gaiman, Alan Moore e Grant Morrison. E nas terras da Rainha Elizabeth, sabe-se criar histórias de fantasia e ficção científica com conteúdo maduro e questionador. Ellis já havia criado um grupo de super-heróis direcionado ao público adulto, e a revista The Authority teve enorme sucesso de crítica e público. Ele inseriu elementos de ficção científica e trouxe questionamentos mais profundos para a vida de Tony Stark, e fez dessa nova maneira de enxergar o personagem uma referência dentro da Casa das Ideias.

Stark luta para dominar o alcoolismo e tem de conviver com o peso de suas apostas passadas e sua duradoura parceria com o governo norte-americano, inclusive no que diz respeito a poderio bélico. E diante de uma nova ameaça, ele sente que sua armadura está ultrapassada e requer aperfeiçoamentos. Daí ele recorre a um artifício digno de filme de ficção científica com horror, e passa a ter maior domínio sobre sua armadura, agora com potencial tecnológico ainda mais elevado. Em meio a tudo isso, fala-se, às vezes nas entrelinhas, de drogas, ética, compromisso, relevância social, violência. Inclusive, a violência é mais marcada aqui, reforçada pelo singular traço de Adi Granov e a bem tratada arte-final de Terry Austin.

A composição toda foi tão bem executada que a história se tornou o registro icônico do que representa o Homem de Ferro do século XXI. Influenciou não só os filmes e as animações que envolvem o herói, mas também os quadrinhos subsequentes e os diversos roteiristas que passaram por ele. Deu a cara do Anthony Stark contemporâneo, agora mais envolvido em conflitos interiores do que apenas com mulheres, bebidas e riquezas materiais. Stark é um gênio da tecnologia atormentado pelo passado, por suas decisões e pela armadura que ele guarda na garagem. Um Stark muito mais profundo, infinitamente  mais interessante do que aquele das piadinhas incessantes.

Homem de Ferro - Extremis (Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel Vol. 43) - 160 páginas - formato 17 x 26 cm - R$ 29,90 - lançado em junho de 2014 – Editora Salvat do Brasil (coleção prevista para ter 60 volumes).

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