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11/04/2014
REVIEW - CINEMA: CAPITÃO AMÉRICA 2 - O SOLDADO INVERNAL
 
 
Capitão América 2: O Soldado Invernal
 
 
 
 
 
 
 
 
 


Alguns – e me incluo nessa – creditam o grande sucesso dos filmes do Marvel Studios principalmente ao enorme respeito aos quadrinhos originais, apresentando nas telonas os super-heróis, seus inimigos e coadjuvantes de forma mais fiel do que vem sendo feito até mesmo nos quadrinhos por anos. Do lado a DC Comics, o grande acerto foi a trilogia Batman de Christopher Nolan, que investiu pesado no pseudorrealismo.

Capitão América 2: O Soldado Invernal (Captain America: The Winter Soldier) surge como um híbrido com o melhor destes dois mundos. É ainda um ótimo filme de super-herói, mas ao desenvolver uma trama mais realista, com um lado de crítica acentuado, dá mais espaço para o clima de espionagem, resultando num produto diferenciado, de identidade própria e forte.

Agora trabalhando com a S.H.I.E.L.D., o Capitão América (Chris Evans) vem se decepcionando ao notar como o mundo é mais cinza do que em sua época. É difícil saber em quem confiar. O inimigo não é um megalomaníaco que ameaça a liberdade abertamente, tudo acontece nas sombras.

Ao ir por esse caminho, o filme resgata uma receita que sempre deu certo nos quadrinhos, onde o Capitão costuma funcionar melhor quando contesta o governo americano, uma forma de lembrar que o personagem defende o sonho americano – digno de elogios – e não a política no comando naquele momento, justificando o apelido de sentinela da liberdade. E, no mundo atual, isso se mostra mais valioso e verdadeiro do que nunca, afinal existe um sentimento antiamericano ainda muito presente ao redor do globo. Ao desvincular o Capitão do governo, mas não dos ideais de seu país, o filme se torna crítico, mais rico e elimina os preconceitos com o personagem.

Todo o clima de O Soldado Invernal é voltado à espionagem, ao tema do “em quem confiar?”. Rapidamente traído e perseguido, o Capitão estreita sua parceria com a Viúva Negra (Scarlett Johansson) e recruta a ajuda do estreante Falcão (Anthony Mackie), enquanto desvenda todo o mistério passo a passo, num roteiro bem construído, que equilibra com perfeição suspense, desenvolvimento dos personagens, muita ação e o humor característico das produções da Marvel.

O longa tira o fôlego com cenas de ação mais urbanas, ótimas coreografias e efeitos especiais, mas também com as surpresas no roteiro, numa reviravolta alardeada e que de fato está mudando a cara da Marvel não só nos cinemas, mas também na TV, como vem demonstrando os episódios mais recentes de Agents of S.H.I.E.L.D.

Chris Evans está ainda melhor desta vez como o Capitão América, afinal agora o herói tem mais profundidade com a exploração da ideia de ser um homem fora de seu tempo. A sinceridade e, porque não dizer, ingenuidade do bandeiroso (re)constroem a essência do personagem, como não víamos mesmo nos quadrinhos há décadas.

Scarlett Johansson rouba a cena em vários momentos, com uma Viúva Negra também mais desenvolvida, responsável por algumas das melhores tiradas e cenas de ação, sendo o limbo moral, o meio termo entre o lado super-heroico e a espionagem.

O Nick Fury de Samuel L. Jackson tem sua maior participação até o momento, sendo peça importante da trama e participando ativamente da ação, mas sem ter um desenvolvimento emocional a altura da situação por que passa. E ainda há espaço para uma ótima brincadeira com outro filme com a participação de Jackson: Pulp Fiction.

Anthony Mackie faz uma bela estreia como Falcão, sendo o mais carismático personagem da aventura. Fãs antigos dos quadrinhos podem estranhar as origens do personagem, que pende mais para sua versão na linha Ultimate – principalmente no visual. Mesmo assim, Mackie exala simpática, compondo um Sam Wilson com todo o altruísmo e camaradagem da versão original, com uma bagagem pessoal apresentada rapidamente, mas que funciona bem para dar embasamento ao companheirismo para com o Capitão.

Sebastian Stan, não é segredo nenhum, retorna agora como o Soldado Invernal, sem tanto espaço para se desenvolver. A verdade é que o Soldado é o elo fraco do filme. Todo o impacto de seu retorno é perdido, pois não existe a ligação afetiva – por parte do público ou do próprio Capitão – criada nos quadrinhos, onde presenciamos Steve Rogers lamentar por décadas a perda de seu melhor amigo. No cinema, isso acabou de acontecer e mal vimos essa relação. E, obviamente, todo mundo já sabia que isso ia acontecer.

Comentar sobre o restante do elenco é correr o risco de soltar um spoiler involuntário. Mas basta dizer que, mais do que nunca, vemos um Universo Marvel interligado, com o retorno de personagens de outros filmes e citações a tantos outros. E todos cumprem muito bem seu papel.  Diga-se de passagem, todos os envolvidos cumprem. O Soldado Invernal é um filme absurdamente equilibrado: roteiro primoroso, elenco afinado, efeitos de primeira e uma direção caprichadíssima e até surpreendente, afinal falamos de dois diretores – que são irmãos – que até então tinham como principal experiência comandar episódios de comédias televisivas. A única coisa desnecessária é o 3D que, como é comum na maioria dos filmes, não faz diferença alguma.

Tantos acertos tornam Capitão América 2: O Soldado Invernal a melhor produção do Marvel Studios, em basicamente todos os quesitos. E a tradição se mantém: existem duas cenas pós-créditos, a primeira de extrema importância.

Elenco: Chris Evans, Scarlett Johansson, Anthony Mackie, Samuel L. Jackson, Robert Redford, Sebastian Stan, Cobie Smulders, Hayley Atwell, Toby Jones, Frank Grillo. Roteiro: Christopher Markus e Stephen McFeely, baseado na história de Ed Brubaker, com o personagem criado por Joe Simon e Jack Kirby. Direção: Anthony e Joe Russo.

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