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21/02/2014
REVIEW - HQ: GUERRA SECRETA
 
 
Guerra Secreta
 
 
 
 
 
 
 
 


O personagem Nick Fury costuma gerar muita controvérsia. Há quem o ame assim como também há quem o odeie. O fato de ser um militar arrogante e nada simpático que fede a charuto certamente contribui para aumentar as fileiras de desafetos pelo bambambã da S.H.I.E.L.D. Por outro lado, muitos se afeiçoam pelo anti-herói sisudo, de fala informal cheia de gírias, que manja tudo de política e espionagem e é capaz de peitar praticamente qualquer um. E o maldito charuto lá, no canto da boca ou entre os dedos, esfumaçando a fuça de quem se meter a besta com o caolho. E a prepotência – ou a coragem, de acordo com qual dos lados mencionados você está – do sujeito é tanta que ele resolveu passar por cima até mesmo do presidente dos Estados Unidos, ou seja, o seu chefão supremo. E é aí que começa a história de Guerra Secreta.

Em meio às suas incessantes investigações, Fury começa a desconfiar de muitos dos supervilões que atuam nos Estados Unidos, já que não passam de pés de chinelo que jamais teriam verba para financiar seus armamentos, trajes e equipamentos mirabolantes. Sendo assim, alguma mente brilhante por trás desses criminosos deve financiá-los. E isso certamente tem algum propósito que não somente o de fazer caridade entre a bandidagem high-tech. E ao chafurdar mais a situação, a S.H.I.E.L.D. descobre que um certo país do leste europeu está envolvido até o pescoço com os meliantes que atuam em território norte-americano.

Pois bem. Fury vai até a Casa Branca e relata todo o ocorrido. Mas, para a sua surpresa, recebe um banho de água fria e é sumariamente impedido pelo presidente de prosseguir com o caso. O motivo? Diplomacia. Politicagem. Isso obviamente enfurece o coronel, que sai da reunião obstinado em pôr um fim a essa história. Para isso, ele reúne alguns heróis acostumados a agir na surdina e a lidar com o submundo: Homem-Aranha, Demolidor, Luke Cage, Wolverine, Viúva Negra e Capitão América. Todos são convocados a participar de uma ação mais do que secreta, já que nem o governo estadunidense faz conta do caso, e são enviados à Latvéria.

Como nem tudo são flores na vida, os planos não saem exatamente como o esperado, e alguns contratempos e imprevistos de grande relevância começam a surgir. Mas graças à ardileza e astúcia da estrela de Guerra Secreta, o coronel Nick Fury dá um jeitinho em tudo: chama reforços, estende alguns panos quentes, dá uns gritos, faz umas visitas e, à sua maneira, muito criticada inclusive pelos próprios parceiros, acaba resolvendo o caso.

A trama toda em si é simples: descobrir quem é o cabeça por traz de um grupo. Porém, o tratamento dado é que faz a diferença. Primeiro, não é uma história em quadrinhos comum de super-heróis, e sim uma história de espionagem e suspense com super-heróis envolvidos. Segundo, há um constante clima de conspiração que paira no ar, e a atuação da S.H.I.E.L.D. só reforça a sensação constante de paranoia. Terceiro, os tais super-heróis são muito queridos ou por seu histórico envolvendo espionagem e investigação ou por possuírem identidades secretas (ou quase) que envolvem alto teor emocional, problemas comuns de seres humanos normais, vidas problemáticas e atuação no “mundo real”, em guetos e subúrbios. E quarto, a maneira como a história é habilmente contada por Brian Michael Bendis e Gabriele Dell´Otto.

Bendis foi considerado o rei Midas dos quadrinhos por um bom tempo, principalmente pela Marvel Comics, na qual recebeu diversos títulos para dar aquela repaginada e trazer de volta ao gosto do público, mas agora com um toque mais adulto e roteiros muito bem cuidados. Em Guerra Secreta, Bendis se preocupou em criar diálogos muito afinados, precisos, sem excessos. E isso fica ainda mais claro nas páginas cheias de textos dos relatórios e arquivos da S.H.I.E.L.D., que conferem grande quantidade de informação à história, além de caracterizar melhor os personagens, aumentar o nível de suspense e intriga e demonstrar toda a sordidez das politicagens e maquinações envolvendo a S.H.I.E.L.D. e o governo norte-americano.

E toda essa riqueza textual merecia um ilustrador à altura. E a escolha de Dell´Otto foi muito feliz, já que a sua arte pintada casou muito bem com o  estilo de Bendis, o que resultou num quadrinho que salta aos olhos, com certo refinamento nos trações e nos textos.

Guerra Secreta (Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel Vol. 33) - 198 páginas - formato 17 x 26 cm - R$ 29,90 - lançado em dezembro de 2013 – Editora Salvat do Brasil (coleção prevista para ter 60 volumes).

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