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13/07/2006

Y: O Último Homem, pela Opera Graphica

Há muito não se via em quadrinhos algo tão inquietante quanto Y - O Último Homem, série do selo adulto Vertigo que instiga uma fantasia que é masculina e feminina a um só tempo, ao supor como seria a sociedade atual sem a presença de indivíduos masculinos.

O que torna Y - O Último Homem mais fascinante é que seu idealizador e roteirista, Brian K. Vaughan (indicado várias vezes ao prêmio Eisner nos últimos anos), vai até às últimas conseqüências, não se desvia das questões políticas e sociais e nem deixa perguntas sem resposta: ao morrer de repente todos os homens da Terra o caos se instala, milhares de aviões despencam, as estradas ficam atravancadas por veículos em destroços, e o mundo, subitamente órfão da maioria maciça de seus líderes, segue desgovernado. 

A história apocalíptica se concentra em Yorick, supostamente o único homem vivo, que está bem longe de ser um herói. Ao contrário, Yorick Brown, que apropriadamente traz o ‘Y’ (do cromossomo ‘Y’ a que se refere o título) como inicial de seu nome, é um rapaz comum, um jovem americano como outro qualquer que não percebe ou não quer assumir a tremenda responsabilidade que acidentalmente pousou sobre seus ombros; ele nem imagina o motivo de ter sido poupado, e o que mais quer é achar um meio de reencontrar a namorada que estava na Austrália quando o desastre aconteceu, isto é, a sobrevivência da humanidade pode depender de um sujeito meio abobado, do jeito como costumam ficar os homens sinceramente apaixonados.

A história de Y - O Último Homem: Rumo à Extinção, embora dramática e violenta, e até cruel, tem seus momentos inusitados de grande humor, ressaltando os estereótipos masculinos e femininos e a desarmonia natural que existe entre os sexos. É uma obra rara em originalidade, no texto inteligente e na resolução de dúvidas que usualmente ocorrem nos leitores de ficção científica. É uma questão de tempo esta obra ser levada ao cinema e/ou à TV.

O arco de histórias que está sendo editado refere-se às edições originais do número 1 ao 5. Ainda neste volume, um artigo de Rodrigo Salem, editor-chefe da revista Set, sobre a obra e o autor.

Y - O Último Homem: Rumo À Extinção tem 136 páginas, formato americano, capa dura e custa R$ 56,00. Disponível na Comix Book Shop que distribui para todo o Brasil. Fone: (11) 3061-3893.


Saiba mais sobre os autores:
Brian K. Vaughan é um daqueles roteiristas que deixam as histórias em quadrinhos com ar mais sofisticado. Não importa se o sujeito está escrevendo os X-Men ou uma criação própria, sempre há algo maior que uma simples trama de uniformizados lutando uns contra os outros. Claro que nem sempre foi assim.

No começo de carreira, quando os olheiros da Marvel deram uma oportunidade para aquele estudante de cinema da universidade de Nova York, as histórias eram curtas e repletas de pressão – não é fácil se destacar roteirizando tramas curtas sobre Ciclope e Câmara ou na revista do Ka-Zar, isso no final dos anos 90. A DC Comics também começou a se interessar pelo talento daquele sujeito nascido em Ohio, mas com sangue nova-iorquino do Brooklyn.

Deu chances para o jovem em Novos Titãs, no qual recebeu elogios de Mark Millar, e Liga da Justiça, quando aproveitou para criar uma heroína turca. Pode parecer normal hoje em dia, mas tente “vender” a idéia de uma garota poderosa vindo de outra etnia há mais de seis anos. Mesmo assim, essa pequena inquietude se transformou na marca de Vaughan. Ele se tornou um astro dos gibis ao inventar Y - O Último Homem como uma revista inrotulável. Seria ficcão científica? Seria errado chamá-la de quadrinhos sociais? E os direcionamentos políticos antidireitistas? Mas, e aquelas piadas repletas de palavrões?

Não importa, as aventuras de Yorick Brown deixam qualquer leitor um pouco mais inteligente depois de uma folheada calma. Não satisfeito em adornar um gibi da Vertigo com tantos efeitos intelectuais, Brian se superou em Ex Machina, criando um super-herói nova-iorquino que salva uma das torres do World Trade Center do ataque de 11 de setembro de 2001 e se torna prefeito da cidade. Seus diálogos engraçados e realistas ainda o levaram para Ultimate X-Men, para o surgimento do hit Os Fugitivos e para os olhos de Michael Chambon, autor de As Incríveis Aventuras de Kavalier e Clay – livro ganhador do Pulitzer de 2000, que o recrutou para roteirizar os álbuns do Escapista.

Hoje, Brian K. Vaughan mora em San Diego, Califórnia – esperando a noiva se formar – e não vê a hora de Y - O Último Homem e Ex Machina virarem filmes.
 
Pia Guerra é conhecida apenas no circuito independente dos quadrinhos de Nova York, a artista recebeu a grande chance de sua vida ao ser convidada para ilustrar a nova série da Vertigo, Y - O Último Homem. Assim como Brian K. Vaughan, foi indicada para vários prêmios Eisner e ganhou outros tantos. Ainda mora em Nova York.


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Y - O Último Homem: Rumo à Extinção
 
 


 

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