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13/12/2010

Cosac Naify lança Poema em Quadrinhos

A Cosac Naify, que já publicou artistas clássicos do cartum como Sempé, Shel Silverstein e Charles M. Schulz, além de ilustrações de quadrinistas renomados como Jan Limpens e Guazzelli, acaba de lançar seu primeiro título de quadrinhos para adultos: Poema em Quadrinhos, do escritor e artista plástico italiano Dino Buzzati (1906-1972).

Esta foi a primeira e única incursão de Dino Buzzati neste tipo de narrativa. Já consagrado por obras como O Deserto dos Tártaros – que, para Antonio Candido, figuraria em sua lista pessoal dos dez romances mais importantes –, o autor tinha em alta conta sua atuação como artista plástico, e se ressentia pelo fato de não ter tido muito reconhecimento por suas pinturas. Chegou a declarar: “O fato é que sou vítima de um cruel equívoco. Sou um pintor que, por hobby, durante um período infelizmente bastante longo, fez-se também escritor e jornalista. O mundo, no entanto, crê que seja o contrário e não ‘pode’ levar a sério as minhas pinturas”.

A publicação do livro em 1969 – ano em que o autor esteve no Brasil como jornalista, cobrindo a Bienal de Arte de São Paulo –, foi recebida na Itália como uma busca nítida de Buzzati por uma linguagem que unisse suas duas paixões. Era, então, a primeira vez que um grande escritor usava os quadrinhos como meio para se exprimir. “O quadrinho buzzatiano é envolvido por um conteúdo que poderia ser chamado de superior às forças formais da vinheta, do esboço, da ilustração. O relato é sério e o meio se enobrece”, analisa o jornalista Claudio Toscani, em posfácio a edição italiana do livro (Poema a Fumetti, Mondadori, 2003).

Seu ritmo é diferente daquele das histórias em quadrinhos mais comuns; talvez exija uma leitura mais atenta, pausada. Como comentou o escritor e crítico de arte Alberico Sala em artigo na ocasião do lançamento, “percorrendo as páginas do livro, com seus desenhos belíssimos, somos induzidos a pensar que ele não seja propriamente uma história em quadrinhos. É um romance, uma compilação ilustrada de todos os seus mais relevantes motivos morais e fantásticos. Palavras com figuras como nos cartazes populares; quadros explicativos para um esclarecimento vulgarizado do próprio mundo”.

A história é um reconto do mito grego de Orfeu que, depois de perder a esposa Eurídice, desce ao Hades para tentar buscá-la. Na versão buzzatiana, Orfi é um cantor pop e Eura, sua amada, morre muito jovem. Certa noite, ele a vê passar misteriosamente por uma porta em frente a sua casa. Ao se dirigir também ao local, o jovem é interpelado por um “diabo da guarda”, um paletó que lhe explica como é aquele mundo. Ele concede passagem a Orfi somente se este cantar, para ele e os ali presentes, as coisas do mundo dos vivos, que todos já esqueceram – o medo da tempestade, o amor (por vezes cruel), “a história do homem que deu meia volta”, “quando os olhos do velho cachorro doente nos transmitem a mensagem” etc.

Repleto de autorreferências e de alusões a obras de arte e filmes – Salvador Dalí, Fellini, Achile Beltrame, entre outros a quem o autor agradece – o livro “se apresenta como um rápido inventário de ‘baixezas’ e de ‘nobrezas’, aquelas que se abrigam no coração de todos, do fantástico ao real, ao trivial; e, inversamente, do erótico e do sádico ao ético”, diz Claudio Toscani.

Poema em Quadrinhos tem 224 páginas, formato 13 x 20,3 cm e custa R$ 42,00.

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